20/09/2017

Seja também porta-voz da Esperança


Orson Peter Carrara
Todos fomos e continuamos sendo beneficiados pelo conhecimento espírita. De alguma forma ele chegou até nós, conduzindo-nos a ver a vida com olhos de compreensão sobre as realidades das lutas humanas.
Alguns nasceram espíritas, outros chegaram depois. Nem todos souberam avaliar a oportunidade desse contato, mas a lógica e grandeza do pensamento espírita conquista pela sua coerência e lucidez. Fundamentado na lógica e no discernimento que nos convida continuamente, abre o raciocínio para os propósitos da vida, com solidez e segurança.
Para perceber esse alcance, não podemos, todavia, ficar na superfície. O Espiritismo é muito mais que palestras, passes, atendimentos, contatos com espíritos ou atividades variadas que inspiram em seus adeptos. Seus fundamentos é que precisam ser conhecidos e refletidos para alcançarmos a dimensão de sua proposta que, aliás, está totalmente fundamentada no convite celeste trazido pelo Mestre da Humanidade. Isso pede estudo, pesquisa, debate, intercâmbio de ideias, participação e comprometimento com a causa.
O notável escritor Roque Jacintho em sua obra Vida Futura (editada em parceria IDE/Luz no lar), no capítulo 31 da 1ª. edição da citada parceria, com o título Posições, leva-nos a caminhar por esse terreno do conhecimento que chegou e nosso comportamento daí advindo.

Após os parágrafos iniciais, referindo-se ao momento tumultuado do planeta, afirma aquele autor: “(...) negar-se à disseminação da luz será fazer-se omisso no espraiar desse Sol dadivoso, contribuindo, então, para que se alongue a noite da mente humana, atravancando as engrenagens irreversíveis do progresso espiritual. (..)”.
E acentua para nosso sentimento: “(...) Recorde-se de que foram palavras, mensagens avulsas, livros preciosos, conversações edificantes, indicações singelas e exemplos vivos que, um dia, o conduziram às portas do Espiritismo consolador, miniaturizando as suas agruras, colocando no diminutivo seus sofrimentos. (...)”.
O conhecimento espírita nos dá plenas condições – incluindo o entusiasmo – de promover com perseverança a expansão da ideia espírita que distribui orientação e conforto às comuns e complexas aflições humanas.  Todos podemos protagonizar ações em favor da sofrida coletividade que se debate em dúvidas e aflições.
Comecemos, fazendo-nos portadores da esperança, utilizando-nos sim da divulgação espírita, com critério e respeito pela crença e opções alheias, mas espalhando essa luz que tanto ajuda.
Como pondera o autor em referência: “(...) Se você foi assim beneficiado, através de incontáveis benfeitores encarnados, por que não ser o intermediário da Esperança aos que o buscam afogados pela angústia? (...)”.

O precioso capítulo – que se junta aos demais da notável obra – prossegue com as ponderações do autor. Nosso desejo é convidar o leitor para juntar-se a essa iniciativa de distribuir conhecimento e conforto, especialmente pelo esforço da vivência pessoal. E também de conhecer a incomparável obra que em seu todo, é um verdadeiro estimulador para a conquista de virtudes.

13/09/2017

Benfeitores encaminharão

Orson Peter Carrara
 O que se vai ler abaixo escrevi em 2010. Pela atualidade do texto, todavia, e, considerando o difícil momento da Humanidade, parece-nos oportuno sugerir outra vez.

No belo romance O abridor de latas, do conhecido autor Wilson Frungilo Jr., editado pelo IDE de Araras, há uma sugestão que merece nossa máxima atenção. Ela está na página 146 da 1ª. edição, de fevereiro de 2009, no capítulo XII – Na Feira.
            
Permito-me transcrever o parágrafo, que começa na página 145, para apreciação do leitor, claro por si só na proposta que ora espalhamos na presente abordagem:
“(...)  – Meu irmão, fazemos parte de uma porcentagem muito pequena de criaturas que, pelo conhecimento que temos da Doutrina Espírita, da continuidade da vida, das leis de justiça, das oportunidades que Deus, nosso criador, nos oferece, da oportunidade  de nos reencontramos com os que mais amamos, após a desencarnação, da possibilidade do contato mediúnico com aqueles com quem mais temos afinidade, somos mais felizes que aqueles que ainda não tiveram essa oportunidade de conhecer a Religião dos Espíritos. Por isso, meu irmão, devemos retribuir tudo isso, divulgando essa Religião, levando todos esses conhecimentos a eles. E o que podemos fazer? Como começar? (...)”
               
É aí que surge a sugestão do livro, como resposta à indagação dentro do próprio texto e agora já na página 146:
“(...) É muito simples: quando tiver uma oportunidade, compre um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo e presenteie alguém que sabe em dificuldades, alguém que sabe estar sofrendo ou, então, se não tiver alguém para oferecer esse presente, simplesmente esqueça-o  em algum lugar. Pode ser num banco de jardim, num ônibus, numa sala de espera de um consultório médico ou na poltrona de um cinema e deixe que a Espiritualidade Maior faça o resto. Com toda certeza, ela saberá direcionar um infeliz até essa dádiva que são os ensinos de Jesus sob a óptica da Doutrina Espírita. São benditas ferramentas que devemos espalhar para quem possam ser utilizadas por esses trabalhadores de Jesus. Essa, também, é uma maneira de fazer o bem. (...)”.
               
A sugestão abriu um leque de possibilidades. A riqueza dessa incomparável obra, especialmente com o conteúdo exponencial de seu capítulo V – Bem-aventurados os aflitos – o mais longo da obra – e um referencial para atender às aflições humanas, faz-nos pensar na riqueza da sugestão, que pode ser ampliada para as demais obras da Codificação. Já imaginou o leitor se cada adepto espírita “esquecer” uma das obras básicas em algum banca ou padaria, farmácia, metrô, ônibus, cinema ou supermercados? Quanta gente se beneficiará??!! Estaremos distribuindo luzes no coração de muita gente.
               
Aí pensei ainda que palestrantes e dirigentes, coordenadores das casas igualmente pode espalhar essa idéia, motivando outras pessoas. O mesmo raciocínio cabe na divulgação que podemos fazer dos clássicos romances de Emmanuel, fonte inesgotável de ensinamentos para acalmar, consolar e orientar o sofrido coração humano.  Sempre citá-las, incentivar sua leitura, comentar nas reuniões e palestras. Ah! Deus! Quantas benções daí serão extraídas!!!
               
Quando fico a pensar no quanto nos cabe fazer, essa sugestão é maravilhosa, porque é algo que todos podemos fazer. O último capítulo de A Gênese, por exemplo, esquecido... O conteúdo de O Livro dos Médiuns e a preciosidade de O Livro dos Espíritos ou o tesouro que está em O Céu e o Inferno, ou nos belos textos de Emmanuel em Há 2.000 anos, 50 anos depois, Renúncia, Ave Cristo! e Paulo e Estêvão. Quantos tesouros de orientação!
               
E tudo pode ser iniciado, “esquecendo-se” algum desses livros para que os Benfeitores encaminhem seu conteúdo a alguém que deles se utilizará para saciar sua sede de conhecimento, confortando seu coração e orientando seu caminho. É algo que podemos fazer, convenhamos...

31/08/2017

Tempo de crise

Orson Peter Carrara


Quando surgem as crises – sejam de qualquer origem – o impositivo é de serenidade. Afinal, são nas crises que nos opomos uns aos outros.
A renovação que necessitamos não é obra de um dia ou de décadas, pois a conquista da sublimação exige variadas matérias de domínio pessoal. Um dos significados da palavra sublimação é engrandecer.  Sim, podemos entender dessa forma, engrandecer a vida humana, valorizar, exaltar as vivências. Por outro lado, se pensarmos bem na expressão matérias de domínio pessoal veremos a abrangência do quanto precisamos fazer para domarmos nossos ímpetos agressivos ou egoístas, nossas tendências de arrogância e vaidade, de prepotência ou de imposição e veremos o quanto precisamos na área do domínio pessoal. O mais grave é que agimos ao contrário: queremos dominar os outros...

Muitas vezes somos competentes na profissão, mas apegados. Em outras situações, somos abnegados, mas nos complicamos na afeição possessiva. Em determinados momentos, somos generosos, mas nos deixamos envaidecer ou nos perdemos na arrogância, na prepotência e mesmo na imposição...

Quanto ainda por fazer!!! O progresso é mesmo muito lento até que surjam as épocas de exame ou avaliação que comprovem as aquisições. Isso tudo faz refletir.

Se nos propomos a vencer, nas lições que a vida apresenta, é preciso usar a compreensão que se apóie no raciocínio e exercitar o amor uns aos outros.  Esta atitude de amor e compreensão vai encontrar as variadas expressões de opção da vida humana. Uns preferem o poder econômico e parecem agredir; outros querem a independência sem dever e enveredam em caminhos que resultarão em aprendizados amargos. Outro ilude-se e distancia-se da dignidade; outros ainda aceitam as sugestões dos tóxicos. É preciso mesmo muita paciência diante de opções e decisões nem sempre equilibradas e muitas vezes marcadas pelo orgulho e pelo egoísmo. E essas opções ou decisões partem de pais, filhos, cônjuges, irmãos, amigos, parentes...

Por  isso, quem já possua equilíbrio, que ajude ao desorientado. Quem raciocine com segurança, ampare o que se afastou do bom-senso. Quem disponha de qualquer luz, que clareie o caminho os que jazem na escuridão dos vícios ou dos condicionamentos perniciosos. E, claro, se estamos de pé, socorramos os caídos, porque tempo de crise é tempo de teste e somente se honra com a distinção desejada, quem procura esquecer-se para compreender e auxiliar os demais. Afinal, somos todos irmãos uns dos outros e as sábias leis de Deus nunca se modificam.


Nota: Texto adaptado pelo autor, a partir da mensagem Tempo de Crise, capítulo 19 do livro Companheiro, de Emmanuel, edição IDE.



25/08/2017

Um sonho possível

– Orson Peter Carrara

Todo mundo precisa de estímulo. Sempre que somos estimulados, incentivados, temos a grande possibilidade de vencermos nossas dificuldades, de galgarmos degraus de progresso e de construção da dignidade. Quando abandonados, exceto se tivermos em nós uma grande bagagem que nos permita ressurgir das cinzas do abandono e da indiferença, é muito provável que nos embrenhemos pelos caminhos do crime e da delinquência.

Quantos casos tristes de criminalidade da realidade brasileira não se enquadram em relatos de infância com famílias desestruturadas, de convivência com vícios e tráfico de drogas, de pais desequilibrados e abandonos dolorosos que resultam em adultos igualmente desequilibrados e normalmente envolvidos em quadros de crimes e dificuldades enormes de convivência social?

Pois um filme notável lançado em 2010 traz um quadro que modifica uma situação que poderia resultar num adulto envolvido com a criminalidade. Uma atitude corajosa tira um jovem das ruas e altera sua vida para o bem e para a dignidade. Com 120 minutos e distribuído pela Warner Bros, o filme Um sonho possível é emocionante e faz pensar em nosso papel de cidadãos e o dever da solidariedade.


Trago aos leitores a sinopse do filme: o adolescente Michael Oher (QUINTON AARON) sobrevive sozinho, vivendo como um sem-teto, quando é encontrado na rua por Leigh Anne Tuohy (SANDRA BULLOCK). Tomando conhecimento de que o garoto é colega de turma de sua filha, Leigh Anne insiste que Michael — que veste apenas bermuda e camiseta em pleno inverno — deixe-a resgatá-lo do frio. Sem hesitar por um momento sequer, ela o convida a passar a noite em sua casa. O que começa com um gesto de bondade evolui para algo maior, pois Michael passa a fazer parte da família Tuohy, apesar de terem origens bem diferentes. Vivendo no novo ambiente, o adolescente tem de encarar outros desafios. E à medida que a família ajuda Michael a desenvolver todo o seu potencial, tanto no campo de futebol americano quanto fora dele, a presença de Michael na vida da família Tuohy conduz todos por uma jornada de autodescoberta.

Belíssimo filme. Não deixe de ver. Inspirado numa história real, é bem o exemplo forte e marcante do que um simples gesto de bondade pode fazer. Pode-se dizer, sem medo de errar, que é um caso extraordinário de autêntica caridade. Não a que dá das sobras, mas aquela que estende as mãos verdadeiramente e recupera a dignidade através do estímulo e do apoio que entende e estimula.
Procure o trailer na Internet e veja o filme. É realmente marcante.


Agora, concluindo, quando pensamos em tudo o que já conhecemos do conteúdo oferecido pela Doutrina Espírita e pelo Evangelho, percebemos o quanto ainda somos teóricos diante da mensagem de caridade autêntica que o filme oferece. É exemplar o comportamento corajoso e estimulador da mãe do garoto, na trama que vamos assistir. Aí percebemos o alcance da caridade em toda sua extensão.  

17/08/2017

Decisão que vamos optar

por Orson Peter Carrara

A clareza e objetividade de Kardec impressionam, seja pela sua atualidade, seja pela lucidez com que apresenta o pensamento espírita e seus desdobramentos, nas variadas situações do cotidiano ou nas conquistas intelecto-morais que vamos alcançando pelo amadurecimento natural da própria evolução.

Frases curtas, expressões compactas, parágrafos altamente esclarecedores, raciocínios lógicos, todos embasados numa construção perfeita que une o texto, o raciocínio, o alto senso de justiça e bondade, aspectos históricos sempre envolvidos e, claro, direcionados para aspectos que construam a mentalidade humanitária e cristã, à luz da Revelação Espírita.

Isso está em toda a obra da Codificação, nas obras complementares e na Revista Espírita. Interessante
porque, cada pensamento, texto, frase ou raciocínio do Codificador tornam-se facilmente fonte inesgotável para abordagens verbais ou escritas, temas para estudo ou pesquisa. É realmente o fruto de um espírito genial, comprometido com as causas de progresso da Humanidade. Não é ao acaso que organizou a Revelação dos Espíritos. Uso um exemplo simples, para indicar essa grandeza de conteúdo.

No capítulo XXVIII – Coletânea de Preces Espíritas, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 20 – Para pedir força de resistir a uma tentação, informa Kardec*: “(...) Devemos, ao mesmo tempo, imaginar o nosso anjo da guarda, ou Espírito protetor, que, de sua parte, combate em nós a má influência, e espera com ansiedade a decisão que vamos tomar. Nossa hesitação em fazer o mal é a voz do bom Espírito que se
faz ouvir pela consciência. (...)”.

O destaque na frase foi dado pelo próprio Kardec. O tema aborda a questão dos maus pensamentos, da influência malévola de alguns espíritos perturbados ou perturbadores e mesmo de nossas próprias más tendências, mas também da presença do anjo guardião que nos ampara e a quem podemos recorrer. Como se sabe, no capítulo em referência, Kardec apresenta comentários compactos e extraordinários a diversas situações em que a prece pode ser usada, complementando com pequenos modelos de prece para auxiliar o raciocínio na questão. Mas seus comentários pessoais são de beleza inquestionável. Inclusive, o referido item encontra-se no subtítulo Preces por si mesmo, iniciando-se com a citação dos anjos guardiães e espíritos protetores, daí a indicação aqui constante.

Convido, portanto, o leitor, a refletir sobre o exemplo simples da transcrição constante da já citada obra básica: a da espera pelo espírito protetor, com ansiedade, da decisão que vamos tomar.

Sim, isso é abrangente, notável. Afinal, apesar da assistência que todos recebemos, continuamente, os benfeitores respeitam nossas decisões e esperam que escolhamos os caminhos do equilíbrio e do acerto. Mas respeitam, se optarmos por caminhos desastrosos, daí a ansiedade citada pelo Codificador, porque sabem que é por meio desses equívocos das decisões e opções, durante a vida, que amadurecemos e aprendemos a viver, nos relacionamentos e nas decisões próprias do cotidiano. Apesar de nos assistirem, eles aguardam os caminhos que optamos seguir. Percebemos, com clareza, a abrangência que o assunto propicia. Convido o leitor a buscar o item em referência e estudá-lo na íntegra.

É assim a Doutrina Espírita: inesgotável nas possibilidades de aprendizado.

*308ª. edição IDE - Instituto de Difusão Espírita, Araras (SP), de fevereiro de 2005, tradução de Salvador Gentille.

10/08/2017

Uma prova de amor

– Orson Peter Carrara
Vi já há algum tempo o filme Uma prova de amor, com Cameron Diaz, que agora revi. Belo filme, que merece nossa atenção. Trata-se de comovente drama familiar envolvendo um caso de leucemia num dos filhos. Realmente, o título justifica o conteúdo. É mesmo uma prova de amor que comove pela sinceridade e reflexões pertinentes. Não deixe de assistir. Vai lhe fazer enorme bem ao coração. Não vou aprofundar detalhes, deixando ao leitor descobrir as próprias emoções durante a exibição.
A enfermidade faz pensar no sentido de viver. Ela nos leva a repensar o comportamento, os rumos que damos às decisões e igualmente revela a fragilidade que todos portamos, especialmente diante de doenças terminais.
Foi interessante ter visto o filme numa época em que abordava com frequência o tema Por que adoecemos? em minhas palestras. Motivado pelos livros Por que as pessoas ficam doentes? (de Darian Leader e David Corfield –edição Best Seller) e A doença como caminho (Thorwald Dethlefsen e Rudiger Dahlke – edição Cultrix), a temática continua despertando grande interesse e surpreendeu-me pelo vasto campo que propicia de pesquisa e abordagem.
O foco da abordagem tem sido sobre os prejuízos causados à saúde pelos sentimentos e pensamentos, mais que por oscilações de temperatura, vírus e bactérias. Já não é novidade que mágoas e ressentimentos, inveja e ciúme, arrogância e vaidade são causa de muitas enfermidades. Se algumas doenças trazemos conosco na bagagem, fruto de equívocos e experiências negativas do passado, outras se desenvolvem pelos maus hábitos alimentares ou negligência com as necessidades corporais, mas a grande maioria deles são oriundas, dos pensamentos e sentimentos. Medos, mágoas, condicionamentos, neuroses, inveja e ciúme causam mais danos à saúde que vírus, bactérias e o próprio envelhecimento natural.
No caso do filme, trata-se de uma bagagem trazida e não dos prejuízos por sentimentos, pelo menos não no presente, mas possivelmente no passado, mas a realidade é que o tema saúde está no ar. Revistas e livros, filmes, programas e séries de TV tem abordado o assunto com constância.
Em essência tudo isso é um amadurecimento da mentalidade humana que já percebe, em termos gerais, que precisamos melhorar os sentimentos. Rancor e vingança causam mais prejuízos do que vírus e bactérias. Melhor que aprimoremos os sentimentos desde já, estendendo compreensão e tolerância uns aos outros para que construamos um futuro de equilíbrio, serenidade e, claro, saúde! Muito melhor optar pela coragem, pela esperança e pela fraternidade, ao invés da opção equivocada da inveja, do ciúme e do rancor.
Isso tudo pode começar por uma atitude simples: suprimirmos de nossa vida a conhecida fofoca e usarmos mais o sorriso sincero, a gratidão pela vida, e a preciosidade de uma virtude muito esquecida, a amizade – que pode ser enriquecida pelo bom humor, pelo bom ânimo e pela vontade. Veremos prodígios na própria vida...

02/08/2017

É só querer!

Orson Peter Carrara 

O exercício da vontade é o agente impulsionador na alteração das circunstâncias e fatos. É preciso ter vontade, querer, modificar estados emocionais depressivos para que todo o panorama interior e exterior comece apresentar os efeitos desse esforço. É comum que nos fechemos em pontos de vista sombrios, fixados no desânimo, na tristeza, no desprezo ou indiferença, na desconfiança ou no descrédito da própria capacidade em vencer obstáculos.

O simples fato de acreditar-se incapaz já é fator determinante de fracasso. A primeira postura é, pois, de confiança em si mesmo. Acreditar, confiar, pensar de maneira positiva, por sua vez, igualmente é fator determinante para que se alterem as circunstâncias.


O fato de confiar e querer altera nossa maneira de pensar, de ver e analisar os fatos. E isso facilita o andamento melhor dos acontecimentos e a superação dos obstáculos.

Portanto, é só querer. Com um detalhe: é preciso saber querer. Afinal, esse querer tem que ser compatível com o tempo, o bom senso e a lógica. É comum que exageremos nas opiniões; é comum que nos deixemos vencer pela ansiedade, pelo medo ou pela precipitação... Até que uma certa dose de ansiedade e medo são salutares, defendendo-nos. Mas, existem comportamentos ansiosos que são extremamente danosos à serenidade que se busca.

Timidez, medo, complexo de inferioridade ou superioridade, insegurança chegam até a ser comportamentos normais, face à nossa condição humana. Tudo que é novo ou traz mudanças causa isso. O segredo está, porém, na administração da situação para superação desses desafios.

Aceitar-se a si mesmo, amar – principalmente a si mesmo igualmente –, ponderar com critério as situações, analisar com calma, saber esperar, refletir, são as atitudes recomendáveis. Todos somos capazes e detemos potencialidades imensas, interiormente. Mas é preciso querer. Sim, querer desenvolver-se, querer aprender, querer libertar-se do medo, das dependências... 

E, ao mesmo tempo, procurar tirar de cada acontecimento, de cada obstáculo, de cada adversidade ou contrariedade, uma lição. Pois sempre há lições. 

Por outro lado, renunciar à inveja, esquecer o ciúme. Eles são verdadeiros bloqueadores psicológicos de nossa intensa capacidade.

Fácil? Não, não é fácil. É, todavia, um exercício. Que vai exigir perseverança, determinação, mas cujos resultados trarão equilíbrio e paz interior.

Portanto, se você está triste, cansado, deprimido, analise a situação, busque as razões. Entreviste-se com perguntas claras e respostas honestas. Se está achando que tudo na vida lhe dá errado, reflita com mais atenção e descobrirá muitas vezes as causas na ansiedade, na precipitação, ou até mesmo em sentimentos que são simplesmente dispensáveis e muitas vezes inúteis. Já será meio caminho para recuperar-se.

Se você está bem, espalhe sua alegria, contagie o ambiente com o otimismo e estenda suas mãos para aqueles estão vivendo momentos de dificuldades. Com isso estaremos melhorando o ambiente do planeta...
Espalhar alegria e esperança e melhorar nosso ambiente familiar ou profissional também é só querer...

28/07/2017

Impossível não chorar

Orson Peter Carrara
Surpreendeu-me vivamente o filme Little Boy – Além do Impossível. Entreguei-me às lágrimas, sem conseguir segurar. E faz chorar duas vezes, com intensidade. É muito comovente. Veja no NETFLIX.

Reproduzo a sinopse que extraí da net: “O'Hare, Califórnia. O pequeno Pepper (Jakob Salvati) tem uma forte ligação com o pai, James Busbee (Michael Rapaport), com quem vive aventuras fantasiosas. Quando seu irmão London (David Henrie) é convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial, James se oferece para ir no lugar dele. A situação deixa Pepper desolado, sendo que ele ainda precisa lidar com as constantes provocações dos demais garotos por ser pequeno demais - daí o apelido jocoso Little Boy. Disposto a trazer o pai de volta da guerra, Pepper resolve seguir uma lista de boas ações entregue pelo padre Oliver (Tom Wilkinson).”
A fé do menino, estimulada pelo conhecido “grão de mostarda” que ele ouviu do padre, inclusive com uma metáfora fantástica numa cena marcante do filme, em que somos levados a pensar sobre a fé e seus desdobramentos, tem um final comovente.
O pequeno garoto – de estatura menor mesmo –, transforma-se num gigante pela esperança e fé alimentadas para que o pai voltasse da guerra. A ligação entre ambos é muito forte e a família sobre as agruras da idiotice de uma guerra que separou seus membros. O menino pequeno, todavia, traz à família, à população do vilarejo onde vive e especialmente para o telespectador, as lições vivas do “transporte da montanha”, como indica o ensinamento maior.
O filme começa e parece despretensioso, sem atrativos, mas vai envolvendo de tal maneira, que não se imagina o final surpreendente. Que emociona. As lágrimas do menino são transferidas de maneira intensa para quem assiste e sofre com ele. Os personagens da trama igualmente se envolvem com seu drama, ele se torna muito conhecido pela sua história de fé e esperança, espalhando no ar algo diferenciado que comove mesmo.
Muito bom filme. Não deixe de ver. Veja, inclusive, com a família toda.
Não consigo transformar em palavras as emoções intensas que me envolveram, refletindo sobre o valor da fé e o drama do pequeno de 8 anos de idade. Como pai e avô, as situações familiares ali se desenham diante do inevitável da separação, em tão variadas circunstâncias que a vida se apresenta. Felizmente somos todos imortais, mas a lição viva da fé, trazida pelo filme, produz expressiva reflexão aliada a lindas emoções.

Se eu me aventurar mais aqui, acabo contando o final, e não quero estragar a expectativa do telespectador. Veja o filme, meu amigo, minha amiga.... É um verdadeiro auto teste da fé que alimentamos diante das situações adversas.