17/01/2018

Largo equívoco

 – Orson Peter Carrara

Os comportamentos lamentáveis que povoam a mídia nacional, diariamente, decorrentes de atos indecorosos – bem distantes da dignidade que deve nos caracterizar como seres humanos racionais –, onde se incluem a violência em larga escala, as extorsões de todo tipo, a corrupção e seus infelizes desdobramentos, com total descaso pelos autênticos valores da vida humana, traduzem um largo equívoco de uma mentalidade coletiva construída e incentivada pelo materialismo, pelo egoísmo, pela vaidade ou pela ganância.

Indiferença, omissão, ganância, sedução pelo poder e escravidão à posse, com total alheamento às mínimas noções do dever – aí incluídos os deveres inclusive com a pátria, com o semelhante, com a vida, com o cargo, autoridade ou atribuição que se está investido – significa em última análise plantio de aflições para o futuro, cuja colheita é absolutamente obrigatória.

Os velhos ditados e ensinos sobre semeadura e colheita não são apenas poéticos. Refletem a realidade da lei que rege a vida e que outra não é senão a Lei de Amor.

Medir o momento atual por critérios econômico ou político, de poder ou de posse, é pequenez de raciocínio. Esses são fatores secundários. O principal aspecto a ser considerado como objetivo de vida, é moral. A ausência dela é a causadora do caos que se verifica.

Os que se dedicam a atos lesivos – de qualquer grau, natureza, alcance ou gravidade – não supõem que um dia terão de se reparar moralmente perante si mesmos? Ou que todo prejuízo causado a si mesmo ou a terceiros gerará sempre efeitos desastrosos e normalmente de difícil e penosa reparação?

Não percebemos ainda que quando desequilibramos um ponto – qualquer que seja – isso gerará consequências?

Tenhamos cuidado, prudência. A lei que nos rege é de amor! Aprendamos a respeitar a vida para que tenhamos equilíbrio, harmonia e paz no dia a dia da vida, cujo objetivo é justamente a felicidade de todos, sem quaisquer aspectos de privilégio, preferência ou vantagens sem méritos.

São ilusórias as descabidas pretensões de domínio, ganância ou poder, ganhos fáceis ou tolas vaidades. A vida material é muito frágil e curta e o corpo nada mais é que uma veste que gradativamente apodrece. Prevalece sobre todos os interesses a vida moral, esta sim permanente, contínua, geradora de felicidade quanto pautada no bem e no cultivo das virtudes, com esforço para sermos melhores. Tudo isso por uma simples razão sempre esquecida: não somos o corpo, estamos nele. A vida é imortal e sempre nos depararemos com a nossa própria consciência. Respeitemos a vida, pois, para termos felicidade que advém da paz de consciência.

10/01/2018

Consultório inadequado

– Orson Peter Carrara
 Às vezes perguntam-me: “Posso localizar um parente desaparecido, perguntar sobre uma cirurgia, perguntar sobre fortunas e até mesmo saber onde está uma pessoa seqüestrada?” Perguntam-me, com a intenção de dirigir o questionamento aos espíritos. Querem saber se os espíritos respondem sobre documentos perdidos, se dão palpites sobre casamentos, e pasmem, se já sabem o resultado de jogos e loterias, se não poderiam dar palpites nesta área e até se não podem comparecer para assinar documentos que deveriam ter assinado antes da partida…
Bom, tais perguntas denotam bem o completo desconhecimento sobre o que, quem são os espíritos, onde estão, o que fazem, como vivem.
Um dia desses, vivi a situação de saber que uma família que tem um filho desaparecido, procurar um Centro Espírita e receber a informação de que ele já se encontra desencarnado, ou na linguagem popular, que já morreu.
Em princípio, qualquer pergunta pode ser dirigida aos espíritos. O cuidado que se deve ter é quanto à qualidade da resposta.
Os espíritos, pelo fato de serem espíritos, não sabem tudo e nem tem o poder de penetrar em todos os lugares para localizar pessoas ou documentos. Estão limitados pela sua própria situação evolutiva e aqueles que podem, nem sempre o dizem, por muitas razões. Uma delas, no caso de espíritos esclarecidos, é o de não se intrometerem em assuntos que cabe ao homem resolver. No caso de espíritos menos esclarecidos, nem sempre têm a permissão de dizer tudo o que sabem… Estão todos sujeitos a disciplinas e obstáculos inerentes à condição em que se encontram e nem sempre têm toda liberdade para o “irem e virem” o quanto querem.
Quanto à informação dada por qualquer Centro Espírita, qual a garantia de veracidade? Como saberemos se é verdade ou mentira? Como confiar na informação?
Em primeiro lugar, toda previsão de data ou acontecimento, indicação certa de lugar ou citação fantástica, toda revelação que fuja do bom senso e surge como informação pronta, deve ser rejeitada. E Centro Espírita não é consultório para atender pedidos dessa espécie. Deve-se desconfiar de toda informação com este caráter de revelação, atendendo curiosidades. Quando algo deve ser revelado, surge espontâneo. E sempre através de circunstâncias inesperadas e de preferência por meio de pessoas desconhecidas.
Centro Espírita não é lugar para consultas. Enfermos devem procurar médicos, embora o Centro possa oferecer atendimento de assistência espiritual. Procura de documentos e pessoas desaparecidas é providência para detetives ou policiais, mas nunca para espíritos.
Centro Espírita existe para ensinar Espiritismo e atender as criaturas que querem estudar, que buscam respostas às questões fundamentais da vida humana. E procura de tesouros enterrados, palpites para loterias ou especulações sobre casamentos, nem sei o que dizer, mas estão distantes das ocupações dos espíritos. Esses trabalham para o bem e progresso da humanidade. A informação confiável somente virá por intermédio de médiuns honestos e para consulentes bem intencionados, pois a simples pergunta infantil atrairá também espíritos medíocres e infantis.
Se queres respostas às tuas dúvidas, formule perguntas que visem seu progresso e aprimoramento moral. Desta forma, atrairás espíritos amigos e interessados no teu progresso. Do contrário, estarás sujeito a ser enganado, por médiuns ou espíritos inescrupulosos.

04/01/2018

Vínculos que formam um espetáculo

– Orson Peter Carrara

Uma agradável festa de casamento trouxe reflexões importantes em data recente. Os vínculos familiares, as lembranças que saltam incontroláveis e mesmo o ambiente emotivo – próprio da ocasião –, levam às emoções.

Misturam-se as gerações, encontram-se e integram-se as famílias; os mais veteranos recordam, assustam-se com os novos que o tempo transformou em adultos. Curioso porque, ao mesmo tempo, os mais novatos (e aqui refiro-me às crianças mesmo) promovem o espetáculo da vida humana que se renova todo dia. Muitos estão ausentes, ou já se foram – gerando intensas saudades; outros trazem consigo os laços de futuras famílias que começam a se esboçar nos jovens casais de namorados.

Depois os abraços, as recordações, a visão de como o tempo passou. E, por mais paradoxal que possa parecer, também o futuro vivo mostrando-se com toda sua força e potencialidade. Que coisa linda é a vida! Que espetáculo de alegria e amor!

Nela concentram-se maturidade, a juventude, a inocência, a pureza. Nela também está a dificuldade, a esperança, o otimismo, a alegria, a tristeza. Igualmente mostram-se os quadros da diversidade de experiências que trazem a sabedoria, a prudência, o cuidado.

Por isso mesmo a vida familiar é das mais notáveis oportunidades que recebemos do Criador. É nesta permuta, neste intercâmbio, que crescemos. É justamente através das diferenças que um faz o que outro deixa de fazer; que um ajuda o outro; que um ensina, outro aprende. Estamos todos num grande processo de crescimento individual e coletivo.

Ora, pois é justamente através da família quem surgem os filhos; que o afeto se estabelece, que a estrutura ética, moral e psicológica se forma com segurança.

Por isso, todo investimento em favor da serenidade familiar é o melhor uso que podemos fazer de nosso tempo, de nossa capacidade. Estruturada a família, nos princípios do amor e do bem, do respeito ao semelhante, da honestidade, enfim, estaremos sendo partícipes de uma sociedade humana mais equilibrada. Não é notável isso?

Importante, pois, valorizar a família. Mas com um detalhe: nunca de forma egoísta, mas igualmente fomentando noções de solidariedade e cidadania. Fechar-se em si mesmo um grupo familiar é sinal evidente de fracasso, de equívoco no entendimento de seu verdadeiro papel.

Pare para pensar comigo, amigo leitor. Pense em sua família (também penso em meu grupo familiar). Que tesouro! Quantas alegrias, quanto aprendizado, quantas recordações, perspectivas e esperanças!


Você poderá alegar as dificuldades de convivência, enfermidades, os apertos financeiros e demais obstáculos de nosso tempo. Mas considere: são desafios de crescimento, são testes de maturidade. No final, o que fica mesmo não é o patrimônio dos bens materiais. O que prevalece mesmo (analise bem) são as emoções vividas. Só os sentimentos é que permanecem. Tratemos, pois, de valorizá-los adequadamente.

29/12/2017

Nem anuladas, nem simplificadas

Orson Peter Carrara

 O dinâmico processo de viver, aprender, progredir e especialmente aprimorar-se no intelecto e na moralidade, estabeleceu valiosas experiências nos relacionamentos com terceiros e, claro, consigo mesmo, na individualidade. Afinal, o amadurecimento psicológico-emocional é fator preponderante para o equilíbrio diante dos gigantescos desafios de viver em harmonia. Especialmente se pensarmos na velha questão do auto encontro, pois que muitos de nós nos esmeramos em diversas atividades para além da própria intimidade, auxiliando muita gente, distribuindo conhecimento, e nos esquecemos de auxiliar a nós mesmos.

A maior tarefa é da auto educação, do auto aprimoramento. Somos pródigos no aconselhamento para terceiros e nos debatemos em aflições quando as adversidades nos atingem diretamente, esquecendo-nos de que o que falamos deveríamos usar primeiro em favor próprio, equilibrando as próprias emoções.

Dentre os fatores do dinamismo da vida está a transformação trazida pelo fenômeno biológico da morte. É um fenômeno natural, integrante desse processo todo, uma vez que somos mortais apenas no corpo, pois que imortais como seres inteligentes. As conquistas e dificuldades continuam, pois. Ela, a morte, não anula, nem simplifica as dificuldades, uma vez que levamos o equilíbrio ou a desarmonia interior, conosco. Uma vida moral e emocionalmente equilibrada desde já resultará num espírito desencarnado também equilibrado. Uma mente, por sua vez, emocional e moralmente desequilibrada, levará para a vida espiritual um indivíduo desequilibrado, requerendo as mesmas providências que nos são exigidas continuamente durante a vida corpórea.

Tais reflexões são resultantes da leitura do capítulo 15 – Os inimigos desencarnados, constante do livro Tramas do Destino, edição FEB, na psicografia de Divaldo Franco e de autoria do Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Afirma o autor no citado capítulo:
“(...) Não sendo a morte outra coisa senão um instrumento da vida estuante em toda parte, a desencarnação não anula, nem simplifica as dificuldades. Cada um se desenovela dos liames físicos consoante a força vitalizadora de que se utilizava na sua sustentação. Transferem-se de uma para a outra posição da realidade espiritual os sentimentos cultivados, as aspirações irrealizadas, as fixações, os resíduos morais. (...) Cada um desencarna conforme se encontra reencarnado. Os conflitos não equacionados, como os ódios e os amores, prosseguem com maior volúpia. (...)”.

Por isso é importante o esforço desde já no equacionamento dos conflitos que ainda trazemos, nos distúrbios emocionais e psicológicos, arejando a mente com os recursos valiosos da alegria de viver, da confiança em Deus, da resignação ativa e do trabalho no bem. E isso pode começar com uma virtude sempre esquecida: a gratidão. Sim, a gratidão, que é valioso ponto de apoio ou alavanca incomparável para início dessa trajetória de progresso. Aprendermos a agradecer. Há muitas razões para isso, basta parar para pensar um pouco...
Por isso, a valiosa informação no mesmo capítulo: “(...) O conhecimento da vida espiritual representa valiosa aquisição para a responsabilidade e a ascensão do indivíduo (...)”.

A ascensão e a responsabilidade individuais são conquistas da alma, determinadas pela Sabedoria Divina, por meio da Lei do Progresso. 

Viver é, pois, prosseguir aprendendo. Muitos, diante dos desafios, desejam fugir da vida e dos desafios. Alguns se entregam ao equívoco do suicídio ou à perda do encantamento pelas maravilhas da vida e suas riquezas. Não adianta. A lei da vida é dinâmica e nos determina o progresso contínuo. Por isso, acionemos a poderosa alavanca da vontade, levantemo-nos de nossas fraquezas e sigamos adiante. A morte não muda o que somos, e como diz o autor espiritual na obra em referência, não anula nem simplifica as dificuldades. Essas deverão ser superadas com o contínuo aprendizado decorrente dos enfrentamentos inevitáveis da evolução.


Com a clareza do pensamento espírita, nossa gratidão à fabulosa e incomparável obra da Codificação Espírita, de Allan Kardec.

21/12/2017

A luz em nossas vidas

 – Orson Peter Carrara

Pela oportunidade e qualidade do texto, transcrevo integralmente ao leitor página do site www.momento.com.br com o mesmo título aqui usado. Vejam que notável:

Foi um sonho, há muito tempo acalentado, esse de o homem poder viver num ambiente iluminado.
Em 1828, Thomas Alva Edison conseguiu, pela primeira vez, a lâmpada elétrica de filamento.
A partir desse momento, tudo se modificou na sociedade. Cinquenta anos depois, Joseph Swan patenteou a lâmpada incandescente, que passou a ser industrializada.
É inconcebível hoje, para nossa mentalidade, um mundo sem luz elétrica. Ficamos a pensar no que seria uma casa iluminada por tochas, por candelabros, por velas.
Pode ser muito romântico um jantar à luz de velas. Contudo, viver uma vida inteira tendo que ler, fazer os serviços domésticos, tratar de doentes, costurar utilizando-se de velas, de tochas, de lampiões, de lamparinas... Inconcebível!
A própria natureza nos fala da importância da luz porque nos dá, ao longo do dia, o brilho solar. Quando estamos vivendo sob o brilho do sol, complicado pensar na noite escura.
Quando estamos refletindo sobre a noite escura, temos a oportunidade de pensar no brilho do luar e nos beijos cintilantes das estrelas.
A luz é, em verdade, a grande mensagem do Criador diante das trevas que ainda empanam a vida humana.
Diz o Velho Testamento, no livro do GênesisE o Senhor fez a luz. Faça-se a luz. Fiat lux. E a luz se fez.
E Jesus de Nazaré afirmou sem rebuços: Eu sou a luz do mundo. Aquele que andar em mim, jamais conhecerá as trevas.
Naturalmente que a luz de que falava Jesus Cristo não era uma luz física. Ele falava de uma luz mental, de uma claridade espiritual, de algo que Ele viera trazer ao mundo para nos retirar das nossas sombras.
Sombras de ignorância, noites de maldade, escuridão dos tormentos. Então, Ele veio como um astro do dia, uma estrela de primeira magnitude, com essa coragem de dizer, em pleno período das sombras: Eu sou a luz do mundo.
Mas o Homem de Nazaré ainda propôs que nós também trabalhássemos por desenvolver a nossa própria claridade: Brilhe a vossa luz.
Jesus propõe que façamos brilhar a nossa própria luz, porque somos  lucigênitos. Fomos criados, gerados pela luz de Deus.
Esse é um convite para que trabalhemos o quanto nos seja possível para sairmos das trevas do não saber, do não sentir, do não amar, do não viver.
Em outro momento, asseverou o Celeste Amigo: Quando os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.
Os nossos olhos bons não são os olhos da face. É a nossa maneira de ver as coisas, nossa visão de mundo, nosso olhar sobre as pessoas.
Na medida em que formos misericordiosos, atenciosos, fraternos para com os outros e seus problemas, é natural que estaremos evoluindo, crescendo na direção do Altíssimo.
Todo o nosso ser espiritual, o nosso corpo espiritual, nosso corpo astral brilhará: Todo o teu corpo terá luz.
Todos os grandes gênios espirituais do mundo valorizaram a luz. Não é à toa que Siddhartha Gautama, o grande Buda, é chamado a luz da Ásia.
Por isto, quando Jesus afirma ser a Luz do mundo, Ele ultrapassa as dimensões de todas as terras, de todos os seres e Se mostra de fato como a Luz, Modelo e Guia para todos nós.

Nota da coluna: Redação do ME, com base no programa televisivo Vida e valores - A luz elétrica, gravado por Raul Teixeira, em agosto de 2009, no Teatro da FEP, em 19.08.2011.


13/12/2017

Amor autêntico

 Orson Peter Carrara

Reconheçamos com lealdade a nobreza dos princípios morais apresentados por Jesus de Nazaré à humanidade, fazendo-se portador da mensagem viva do Evangelho. Seus ensinos e orientações significam lúcida orientação de vida para que nos libertemos das ilusões mundanas e das graves quedas nos precipícios de nossas imperfeições morais.

Luz do mundo e modelo exato para a felicidade real da moralidade, sua presença e grandeza significam – além de conforto moral próprio – roteiro de alegrias e perene felicidade diante dos desafios da vida humana e complexos desafios evolutivos.

Sua bondade, por outro lado, expressa em autêntico amor aos irmãos menores que somos todos nós, indica o compromisso assumido de nos conduzir, chegando ao extremo de entregar-se ao sacrifício para nos ensinar o amor e o perdão, em gesto aparentemente mínimo que se transformou em roteiro celeste para a renúncia e a humildade que nos liberta de vícios e constrói o real caminho da felicidade moral que podemos alcançar.

Construtor do planeta, modelo e guia para a humanidade, Jesus foi capaz de dividir a história em antes e depois dele. Não é Deus, mas um irmão mais velho, criado antes e já habitante do estágio de perfeição – ainda que relativa diante de Deus –, sua experiência e maturidade constituem a única opção para uma vida melhor.

Seus ensinos, por meio das parábolas e bem-aventuranças e mesmo nas curas efetuadas – normais para o conhecimento que detêm e não milagres – ou nas orientações aos discípulos, apóstolos e seguidores, significam sabedoria proveniente da experiência e maturidade acumulada, mas sem dispensar bondade e imenso amor capaz de contagiar intensamente todos aqueles que se deixam tocar pela energia que fluem de suas palavras, de sua presença pessoal ou de sua autoridade moral inquestionável.

Neste Natal, esse ar diferente, esse clima de entusiasmo – apesar dos apelos comerciais próprios da época – são resultantes da presença marcante de Jesus em favor da Humanidade, de maneira mais intensa evocado em dezembro pela humanidade cristã do planeta.

Deixemo-nos também contagiar pelo entusiasmo, pela alegria de viver, pela gratidão a essa incomparável personalidade que nos pede humildade, renúncia, bondade e postura de perdão diante dos ferimentos físicos ou morais recebidos. Sua sabedoria sabe que quando perdoamos nos libertamos das prisões que nós mesmos criamos com nossa rebeldia ou condicionamentos vários que vamos alimentando ao longo dos relacionamentos conflituosos.


Por gratidão à sua divina presença, ao seu imenso amor, à sua incontestável e patente realidade de sua bondade e amor para conosco, deixemos que mais que as luzes externas das fachadas comerciais ou residenciais se transformem em luzes interiores, as luzes da solidariedade, da humildade, da disposição de servir, da alegria de viver, da gratidão, virtudes capazes e potentes para transformar o sofrido cenário da atualidade num ambiente de paz e harmonia, a partir dos lares que se refletem na sociedade.

Por isso, nesse Natal, nosso coração pulsa para dizer: Obrigado Senhor Jesus!
Aos leitores, nossos votos de um Natal feliz, repleto de harmonia no coração!


05/12/2017

Renasce magistral

– Orson Peter Carrara

O próprio ar se torna diferente, leve, alegre, suave. Que alegria! É dezembro, que traz de volta o Natal, com os desdobramentos próprios, reunindo famílias e despertando novamente a solidariedade, o desejo de ser bom, a gratidão pela própria vida.
Apesar do convencionalismo da data, do apelo comercial envolvendo o Papai Noel que encanta os sonhos infantis, isso não impede que nos aproximemos mais do aniversariante, que nunca esteve distante. Sempre esteve conosco, recebendo da humanidade uma certa indiferença aos seus apelos de amor.
Mas como sua grandeza e bondade estão além de nossa real compreensão – pois que ainda não conseguimos vivê-la integralmente –, Ele dividiu a história, valoriza os pequenos gestos de gentileza que possamos ter uns com os outros e permanentemente nos convida à renovação moral, respeitando nosso estágio e decisão, sem exigir nada, aguardando que despertemos da letargia do egoísmo, do orgulho e vaidade que ainda nos situamos, equivocados com reais valores da vida.
Mas esse respeito e amor para conosco, tolerância sem limites, advém da compreensão de nossa pequenez moral, da formação ainda em andamento, mas como conhece nossa potencialidade a despertar – pois que originários todos da Bondade de Deus –, investe continuamente nessa formação e despertar, com o envio permanente de outros mais amadurecidos no amor para que nos ensinem a compreender o legado de amor depositado na psique humana e que vai gradativamente amadurecendo com as experiências, algumas doloridas, outras recheadas de emoção, e todas elas visando o aprendizado dessa grandiosa lei que rege o Universo: o amor.
Sim, ilumina-se a Humanidade. Ele renasce novamente em nossos corações, convidando-nos à renovação indispensável à nossa própria felicidade É Jesus, presença amorosa, incomparável, a quem tudo devemos. A suavidade de seu verbo, de seu olhar, a compaixão para com nossas fraquezas e debilidades morais, deveria antes nos sensibilizar nessa mudança que precisamos fazer em nós mesmos. Felizmente, porém, a vida tem seus sábios mecanismos para nos fazer ver o que é óbvio e que teimamos não aceitar.
Mas seu profundo amor respeita nossa debilidade, envolve-nos carinhosamente, providencia para que estejamos bem e protegidos.
Ele é o modelo e guia para a humanidade, é o Celeste Amigo, é a Luz do Mundo, o Sol de nossas Almas, o Enviado para nos ensinar viver. Deixemo-nos sensibilizar por sua grandeza.
Jesus, Mestre e amigo da humanidade. Por sua grandeza, por sua bondade, por sua presença, aceite nossa gratidão. Ajuda-nos vencer tanta imperfeição que ainda carregamos para que consigamos nos aproximar mais desses ensinos que nos libertam da ferocidade que ainda carregamos.
Muito obrigado Senhor! Meu coração vibra, emotivo e agradecido, pelas bênçãos do que a amizade é capaz de fazer!
Mais que as luzes externas do Natal que iluminam casas e o comércio, acendamos dentro de nós as luzes do amor que abraça, socorre, alegra-se, confia e permanece trabalhando…



28/11/2017

Cenário de conflitos

 – Orson Peter Carrara

Há um paradoxo na vida humana. Habitando um planeta lindo, de paisagens exuberantes, desfrutando de benefícios imensos como a água, o ar e a chuva, a beleza incomparável da fauna e flora variadíssima, e mesmo com toda tecnologia que já conquistamos, ainda vivemos um cenário de conflitos. Dominado pela avareza, a ganância, as intrigas e seus desdobramentos.

Mesmo com o canto dos pássaros, o sorriso das crianças, as artes que nos encantam e todas as possibilidades ao nosso alcance pelos sentidos, e repito, com todo o conforto trazido pelos avanços da ciência em todos os ramos do conhecimento e pesquisa, ainda vivemos os bastidores da calúnia, do crime, da hipocrisia, dos desrespeitos variados que aí estão, sem qualquer necessidade de citá-los, pois que muito conhecidos e vividos e abundância. 

Mas, o vigor da esperança também é força presente. Apesar de toda tempestade à volta, continuamos a lutar, a viver, a aprender, a conviver – esse um grande tesouro – guardados pela predestinação do planeta no futuro de ser um mundo feliz. 

Isso parece uma ilusão? Compara-se a um engodo? Há perspectivas?
Claro que há, são perenes, permanentes, disponíveis.
Embora tenhamos guerras, miséria, fome, desespero, vingança, egoísmo, descrença, discórdia, mentira, crime, orgulho, preguiça e ódio, entre outras imperfeições morais que o leitor saberá acrescentar, há um caminho incomparável, sereno, roteiro seguro para o alcance da paz que desejamos viver coletivamente.

Ele, esse caminho, é dependente de nossa decisão de começar, agora mesmo, a buscar as lições do bem e a fazer algo em favor da felicidade de todos.

Ora, a afirmação que não é minha, nem o raciocínio, e contida num único parágrafo (o imediatamente acima), é roteiro de paz para o planeta, é o construtor da harmonia que tanto procuramos. Ela comporta um congresso de informações, onde depoimentos, casos, estudos e debates nos podem proporcionar ampliar a questão.

Afinal, podemos indagar sem receio: a) O que é exatamente buscar as lições do bem? b) O que é algo fazer em favor da felicidade de todos?
As respostas são difíceis ou ainda preferimos ignorar? Agora, nesse instante, como usar as duas opções? Quais as opções de busca do bem nesse momento, onde estamos? O que podemos fazer agora em favor da felicidade de todos? Quem são esses “todos”?

O planeta atual e seu cenário de conflitos apenas reflete nossa mediocridade moral – ainda nos deixamos seduzir por paixões exclusivistas, egoístas, sem pensar coletivamente – e somos donos da mudança desse quadro, bastando apenas a decisão de amar e respeitar o local onde vivemos, as pessoas com quem convivemos e agir em favor do bem geral.

Será tão difícil assim? Por que ainda não aprendemos? É egoísmo, é nossa imaturidade ou nossas ambições ainda são mesquinhas? Ou soma-se tudo isso?

Observemos, com imparcialidade, a conquista de um mundo feliz é consequência da aplicação do Evangelho, é seguir as lições do Mestre de Humanidade. Sem comodismo e com perseverança.


Nota do autor: vali-me das lições Morada terrestre e Mundo feliz, do livro Vivendo o Evangelho, volume I, de Antonio Baduy Filho.

21/11/2017

Sem se iludir

– Orson Peter Carrara

Para todos nós que buscamos periodicamente os recursos dos tratamentos espirituais, em qualquer crença – na forma de entender e praticar de cada um, o que naturalmente deve ser profundamente respeitado –, é preciso entender que há um detalhe fundamental na questão: os recursos existem, são reais, podem até curar, mas necessitam da ativa participação do paciente, especialmente por meio da vontade, do querer, do esforço por melhorar-se.
Sejam benzimentos, passes ou outros recursos, a participação do beneficiado é decisiva.

Vejamos, por exemplo, os passes – prática comum nos centros espíritas – normalmente buscado por muitas pessoas. 
Passe é terapia de superfície, alívio momentâneo e até duradouro, mas não definitivo. Pode até curar, pode ou não atingir as causas, pois em muitos casos de fé positiva e merecimento consiga operar curas de enfermidades graves.

A causa de nossas perturbações reside em nós mesmos, nas inferioridades morais que todos temos. Por isso, muito mais importante que o passe, ou busca desses recursos, é o esforço por esclarecer-se. Esclarecidos, seremos defensores pessoais de nós mesmos. Saberemos defender a própria saúde, física e espiritual.

As perturbações de ordem espiritual, a influência de espíritos ou sua presença incômoda é de nossa própria responsabilidade. Somos nós que lhes permitimos se aproximarem de nós. Quando sentimos ódio, revolta, inconformação, inveja, ciúme ou outros sentimentos mesquinhos, verdadeiramente escancaramos nossas defesas espirituais e os espíritos infelizes encontram livre acesso para nos perturbar.

Conclui-se em breve raciocínio que NÃO ADIANTA viver recebendo passe e NÃO MELHORAR o comportamento. E isto se compreende de maneira muito ampla quando se estuda. Nossa preferência deve ser de procurar antes reuniões de estudos, palestras, estudo dos livros, para conhecer com profundidade as causas das enfermidades, das perturbações.

É comum encontrar-se o Centro cheio em dia de passe. Reduzido, porém, em dia de estudos ou nas palestras doutrinárias. Ora, isto é um equívoco tremendo. Valoriza-se demasiadamente a tarefa do passe, em detrimento do que o Espiritismo possui de mais belo - o seu conteúdo doutrinário. Este sim precisa receber prioridade dos dirigentes espíritas para levá-lo ao conhecimento do público e também receber nossa preferência, quando freqüentadores dos Centros.

O estudo espírita é altamente terapêutico, preventivo. Abre a mente, esclarece o raciocínio. Mas, aqui também, não se iluda. O estudo requer perseverança, continuidade, interesse... A Doutrina possui material de estudo e reflexão para a vida toda.
Projeto Imagem

O passe é importante? Claro que sim! Muito importante. Mas é tarefa e recurso secundário. Somente o estudo ensina a pessoa a auto defender-se. Conhecer a Doutrina Espírita deve ser nossa meta. Ela não veio para ficar nas estantes. Veio para ser conhecida, ajudar o homem. Desprezá-la demonstra desconhecimento da grave responsabilidade de que estamos investidos e também total desconsideração ao público que pretensamente julgamos atender.

09/11/2017

Complementando o artigo postado anteriormente recomendamos as reflexões na fala do Dr. Sérgio Lopes.