22/06/2017

Providência Divina

Orson Peter Carrara
A palavra providência é muito bem entendida no cotidiano da vida humana, afinal são muitas as providências diárias para alcançar-se determinados objetivos, prevenção contra incidentes ou doenças e mesmo na organização de uma casa, de uma empresa, na vida individual, familiar, coletiva, social. Vários exemplos podem ser citados e são bem conhecidos no sentido da palavra providência.
Acrescente-se, todavia, o adjetivo Divina, como usado na expressão que intitula o texto, e logo se compreende que se trata da Providência de Deus para com suas criaturas, entre elas os seres humanos, uma vez que as criaturas de Deus não são apenas os seres racionais. Isso inclui desde a criação, os cuidados com tudo que criou e a sequência natural da própria vida, onde é clara a atuação permanente e bondosa em favor do equilíbrio, da felicidade e do progresso.
A providência divina é a solicitude (ou os cuidados) de Deus para com sua criação. Considerando que Deus é eterno, imutável, onisciente, onipresente, único, imaterial, soberanamente justo e bom, deduz-se com facilidade que Deus tudo sabe, tudo vê, tudo preside, mesmo às questões mais insignificantes.
Aos nossos olhos limitados, muitas ocorrências podem parecer coincidências ou sorte, mas na verdade os fatos demonstram a ação da Vontade Divina, sempre soberana e justa.
Alguns perguntariam, todavia, como é que Deus permite tragédias ou lamentáveis ocorrências que trazem sofrimento – incluídas as mortes prematuras, acidentes, etc –, mas na verdade o auxílio do Todo-Misericordioso pode estar também na esperança frustrada, na doença prolongada, na carência material, no sonho adiado, na adversidade sem solução imediata, na supressão de possibilidades, entre outras questões que para nossa limitada compreensão significam sofrimentos. Todavia, considere-se que esses fatos enquadram-se na necessidade de aprendizado ou amadurecimento do envolvida com as difíceis questões.
Afinal porque para uns tudo dá certo? E para outros tudo é contrariedade e dificuldade?
Deus seria parcial e caprichoso? Não, isso é coerente com sua grandeza, bondade e sabedoria.
A origem dessas aparentes injustiças está em causas que só Deus conhece realmente.
O fato patente, todavia, é a presença amorosa, cuidadosa do Criador em tudo. As adversidades que enfrentamos são degraus de aprendizados e amadurecimentos.
Nada, pois, de desânimos ou tristezas. Sigamos adiante, sempre confiantes, pois todos somos filhos do Amor de Deus, que tudo providencia para nosso crescimento e felicidade.  E diante dos desafios, considere-se também que muitas aflições poderiam ser evitadas se vivêssemos as leis de amor estabelecidas pelo mesmo Pai de todos nós.
Busque-se conhecer, ampliar o conhecimento. O que sempre me encantou é pensar na grandeza de Deus! Quanto mais se aprende, se amadurece, maior o respeito e a gratidão que brotam espontâneas em direção a Deus. Pela sua grandeza, presença, bondade!



16/06/2017

Aflições, dúvidas, conforto e orientação

 Orson Peter Carrara

As aflições e dúvidas, vindas de várias fontes, constituem desafios contínuos que nos solicitam coragem, serenidade e fé, postura e decisão para tais enfrentamentos. Desde os dramas íntimos, às dificuldades de relacionamentos, aos embates profissionais, as enfermidades e lutas do cotidiano, inclusive os dramas familiares, e mesmo os questionamentos que surgem por motivos variados, trazem preocupações que chegam a afetar a saúde e a harmonia na convivência.
Para todos os casos, porém, existem o conforto e a orientação que podem ser encontradas, desde que queiramos melhorar. Afinal, quando a pessoa não quer melhorar, nós não conseguimos adquirir e saúde e harmonia para ela.

O grande segredo é viajar para dentro, numa auto-análise para identificar a causa daquilo que nos atormenta. Afinal, porque estamos irritados, desequilibrados?
Qual a motivação para tal estado de espírito?
Uma entrevista honesta conosco mesmo nos levará às seguintes indagações, entre outras:
1 – Estamos constantemente irritados e invadidos por sentimentos de desânimo?
2 – Experimentamos algum conflito interior?
3 – Estamos nos sentindo culpados por algo?
4 – Experimentamos sensações desagradáveis, episódios de insônia, interrupção do sono, cansaço ao despertar?

Nesse conjunto de sintomas, podem estar: a) um distúrbio fisiológico, a requerer uma visita ao médico; b) Um distúrbio psicológico, que igualmente solicita procurar ajuda para um aconselhamento com amigos ou ajuda profissional com um psicólogo; c) Uma influência espiritual, a pedir naturalmente uma mudança de comportamento.

Já não ignoramos que nossos pensamentos abrem comportas espirituais que facilitam o acesso de espíritos em desequilíbrio ou perturbados e mesmo desafetos por razões variadas.
Então para beneficiar-se da orientação disponíveis para sentir-se mais confortável e recuperar o conforto da convivência saudável e harmonia interior, algumas dicas:
1 – Orar mais; 2 – Desenvolver o hábito de ler uma página edificante logo de manhã; 3 – Não se deixar perturbar pelos atritos das relações humanas, pois que normais, dada nossas diferenças individuais; 4 – Frequentar o templo de nossa crença; 5 – Beneficiar-se dos recursos da água após orar e pedir auxílio com humildade.

E, ao perceber melhora, manter esse padrão vibratório de elevação, pois afinal não adianta receber aqueles recursos se mantivermos os vícios e comportamentos inadequados. Por outro lado, manter o propósito de melhorar.

O grande segredo é mesmo uma mudança de conduta. Esforço para superar imperfeições e igual esforço para aquisição de virtudes, ler, estudar, pesquisar, interessar-se e comprometer-se com as boas causas humanitárias.

Os recursos espirituais, reais e à disposição de quem os procurar, solicitam que a pessoa busque informações, se interesse pela questão e especialmente modifique o comportamento para diretamente se beneficiar deles. Independente das crenças e dos templos, eles exercem saudável influência sobre a saúde física e sobre o equilíbrio emocional, inclusive afastando indesejáveis presenças espirituais. Mas é preciso a participação daquele que quer ser ajudado. A ajuda sempre existe, mas quem busca deve participar desse processo e o segredo é a adoção de nova postura mental, mais amor no coração, dispensa de rancores e mágoas, demissão da tristeza e disposição para o bem. Tais considerações foram inspiradas no livro Vivências do Amor em Família, organizado por Luiz Fernando Lopes.

08/06/2017

Atribulações

Orson Peter Carrara
A palavra bem define os dias atuais. Todos corremos contra o tempo, atribulados com o acúmulo de afazeres e numa análise geral, não conseguimos dar conta dos compromissos, que se adiam, ficam comprometidos ou até esquecidos.
Isso ocorre na esfera individual e coletiva, haja visto o volume de providências diárias com enorme gama de assuntos e, seja por negligência, incapacidade ou limitações de todo gênero, acabam desdobrando-se em consequências outras que exigirão novas providências e reparos de alto custo, não só financeiros como morais e mesmo psicológicos e emocionais, sem falar dos prejuízos decorrentes. Observe-se, por exemplo, os acúmulos de lixo ou sucata, sem quaisquer providências, abandonados, gerando doenças e ambientes de prostituição ou de vandalismo. E isso é apenas um exemplo material. Transfira-se a questão para o aspecto moral. O fato real, entretanto, é que as atribulações desviam os focos essenciais.
O mais interessante, porém, é que muitas delas poderiam ser evitadas. Ocorrem por força de nossos comportamentos ainda egoístas, gananciosos ou negligentes.
A definição da palavra já indica a questão: aflição, sofrimento moral, acontecimento desagradável, agrura, adversidade.
Naquelas que não podem ser evitadas, todavia, e resultantes dos testes de aprendizados e amadurecimento, vale recordar que nesse programa de aperfeiçoamento moral que devemos abraçar continuamente, o pensamento de Emmanuel no livro Abrigo, é marcante. Reproduzo alguns trechos parciais do extraordinário capítulo com o mesmo título Atribulações:
  1. Se há crentes aguardando vida fácil, privilégios e favores na Terra, em nome do Evangelho, semelhante atitude deve correr à conta de si mesmos. Jesus não prometeu prerrogativas aos seus continuadores;
  2. Asseverou que os discípulos e seguidores teriam aflições e que o mundo lhes ofereceria ocasiões de luta, sem esquecer a recomendação de bom ânimo;
  3. Se o Mestre aludiu tanta vez à necessidade de ânimo sadio, é que não ignorava a expressão gigantesca dos serviços que esperavam os colaboradores;
  4. A experiência humana ainda é um conjunto de fortes atribulações, que costumam multiplicar-se à medida que se nos eleve a compreensão;
  5. Responsabilidades e compromissos envolvem sofrimentos e preocupações;
Peço ao leitor refletir sobre os itens acima, especialmente no item “d” acima. Elas tem grande utilidade para nosso amadurecimento, no enfrentamento das adversidades que nos conferirão imensos aprendizados e experiência. Por isso concluir aquele autor: “(...) porém tenhamos fé e bom ânimo. Jesus venceu o mundo.”

E, claro, agora podemos dizer de nós mesmos: tratemos de nos organizar para evitar as atribulações que podem ser evitadas e aprendamos administrar aquelas que não podem ser evitadas.

02/06/2017

Melancolia

 Orson Peter Carrara
A vaga tristeza que se apodera do coração, quase que de maneira imperceptível, levando a pessoa a considerar amarga a existência, chama-se melancolia. Se não combatida no íntimo pode desencadear estados de angústia profunda e depressão.
Este abatimento se revela, muitas vezes, através de pequenos contratempos do cotidiano, coisas simples e corriqueiras que assumem cores mais escuras que a realidade. Ouvir uma reprimenda, tirar notas baixas na escola, desentender-se com um familiar...
Qualquer motivo acaba desencadeando esse estado de melancolia, que, diga-se passagem, precisamos combater. Uma das maneiras de enfrentar a melancolia é identificar o agente causador e, o mais rápido possível, atacar a raiz do problema, solucionando-o.
Isso nos faz lembrar a história de “...um professor muito estimado pela espontaneidade e alegria que dele emanava. Todos o procuravam quando passavam por dificuldade.
Quando ele via alguém com um semblante tristonho a caminho de sua sala, ele pegava um papel e uma caneta e pergunta:
Qual é o problema?
Na medida que a pessoa ia falando ele ia anotando todas as queixas: notas baixas, briga com o melhor amigo, derrota no esporte, um resfriado...  Em grande parte, as situações eram coisas simples e de fácil solução, se buscada com seriedade. Normalmente, as pessoas que iam conversar com ele, ao olhar as muletas que ficavam escoradas na sua escrivaninha e que denunciavam a paralisia do jovem mestre, sentiam-se envergonhadas por entristecer-se por tão pouco.
A melancolia pode ser estimulada por uma mágoa, um pneu furado, uma dificuldade amorosa, um dia vazio, um bolso vazio, um estômago vazio, um coração vazio...
Mentalmente, pode-se puxar um papel e escrever exatamente o que provoca esse estado de infelicidade e trabalhar por eliminá-lo.
Algumas coisas são imodificáveis, outras não; identificá-las é que diferencia o homem sereno do homem melancólico.  Aos primeiros sinais de melancolia pode-se utilizar alguns antídotos:

1 - sair da rotina e fazer algo diferente, que desejava há muito tempo, mas nunca teve oportunidade de fazer;

2 - dedicar-se a dar alegria a alguém, sem exigir absolutamente nada em troca;

3 - adquirir novos conhecimentos, leituras, amizades; buscar na memória momentos da vida em que sentiu extrema felicidade...

A melancolia está diretamente ligada ao estado de espírito da solidão e do ócio.
Então, a solução é não ser solitário, nem ser ocioso.
Se formos ociosos, não sejamos solitários.
Se formos solitários, que não sejamos ociosos.
Todos temos algo a desempenhar, seja junto à família ou a coletividade.
A felicidade, presente e futura, depende do cumprimento dessa tarefa, com alegria, sempre.  
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo V, item 25, encontramos a expressiva mensagem assinada pelo Espírito François de Genêve, exatamente com esse título: Melancolia.
O autor espiritual assinala: “(...) resisti com energia a essas impressões que enfraquecem vossa vontade. (...) Lembrai-vos de que tendes a cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão de que não suspeitais, seja em vos devotando à vossa família, seja cumprindo os diversos deveres que Deus vos confiou. (...)” A mensagem tem apenas dois parágrafos, é bem compacta, mas de grande beleza e sugiro ao leitor tê-la na íntegra no coração, pois seu conteúdo tem o sabor de orientação viva aos desafios diários que são normais para nossa condição humana, no estágio que nos encontramos.
Vá ao livro, leitor amigo, sugiro-te com ênfase. Concentre-se especialmente no segundo parágrafo e se acaso você enfrente esses momentos desafiadores de tristezas continuadas, encontrará no texto o conforto que seu coração busca com ansiedade, desejando-se libertar-se para viver com alegria...

Nota do autor: adaptação de texto original de Luís Roberto Scholl, de Santo Ângelo-RS.

25/05/2017

A Tarefa dos Enxovais (Book-Trailer)

Se soubessem o que os aguarda, não o fariam


Orson Peter Carrara
Não é castigo e sim consequência. Os que fomentam a violência, os que enganam, os que manipulam nos
bastidores, os que estouram terminais bancários, roubam, matam, estupram, mentem e se fazem instrumentos da ganância, da prepotência ou da arrogância que desrespeita, se soubessem o futuro de arrependimentos, remorsos, aflições e lágrimas que os aguarda, não o fariam.  Afinal, é da lei que colhamos aquilo que plantamos...
O que mais precisamos aprender é respeitar. Respeitar diferenças, instituições, pessoas, decisões e as leis que nos regem. O uso da desonestidade e a busca desenfreada do poder, do ter, tem trazido o que temos visto no abençoado país que vivemos.
Mas nada de pessimismo, como nos conclama Jair Presente no belo poema que transcrevo na íntegra ao leitor:
Nosso Brasil
Venho atender a chamado
de urgente situação
Meu povo anda magoado
com os rumos da nação.

Caro amigo brasileiro,
acalme o seu coração
Não há neste mundo inteiro
mais lindo pedaço de chão.

Veja o verde dessas matas
em diferentes matizes,
repara nas lindas cascatas
e nas aves que voam felizes

Já disse o poeta um dia
"Nossos campos têm mais flores
Nossos bosques têm mais vida"
Venceremos com louvores!

Sabemos que estamos na era
da grande transformação
Confiemos "na galera"
dessa nova geração.

Estamos em novo momento
Em que vale destacar
A honestidade é o fermento
que chega pra nos salvar.

Não mais queremos a fama
do "jeitinho brasileiro"
Há flores que nascem na lama
e sem precisar de dinheiro

Não pensem que não somos mais
A Pátria do Evangelho
Pois necessário se faz
Retirar os "cacos" velhos

Se a crise hoje aparece
Colocando as mangas de fora
É que a mudança carece
dessa noite que transforma

Confia que em breve futuro
nosso olhar vai poder ver
que ainda além deste muro
o sol voltará a nascer

Segue fazendo a sua parte
espalhe otimismo onde for
Seguir com Jesus é uma arte
Que necessita de amor.

                   Jair Presente- mensagem psicografada em 20/05/2017
por Bel Guirado na Casa de Eurípedes de Pindamonhangaba.

17/05/2017

Equipe diferenciada

Orson Peter Carrara


Ponderemos, com a lógica e o bom senso como instrumentos de análise, sobre a vinda de Jesus ao planeta e sua equipe de colaboradores, à época. Reflitamos sobre as seguintes questões:
a) Os doze apóstolos que o acompanharam foram ou não preparados antes de virem ao planeta? Estavam na equipe antes, com Jesus, ou foram apanhados de surpresa durante o apostolado iniciado pelo Mestre? 
b) Seria coerente definirmos que tais acontecimentos, o da escolha dos discípulos, foi obra do improviso, do acaso, ou de meras circunstâncias?
c) Sem menosprezo pela função de pescador, à época, podemos afirmar que tais espíritos eram mesmo rudes pescadores?
Breve leitura às questões acima propostas mostram claramente que a equipe do Cristo realmente não poderia ter sido fruto do improviso. Igualmente não iniciaram o contato e o trabalho com Jesus apenas a partir do momento em que foram convocados. 


Na verdade estavam pescadores. Não o eram. São almas, já à época, de elevado grau de adiantamento, totalmente comprometidos com as tarefas de expansão da Boa Nova. Ainda que Judas tenha se equivocado e outras fraquezas humanas tenham aparecido de maneira clara entre outros dos discípulos, como a negação de Pedro entre outros exemplos, tais integrantes que compuseram a equipe que acompanhou fisicamente Jesus ao planeta, embora não estivessem no mesmo nível de Jesus, já participavam de relativa sintonia com seus propósitos e o próprio programa por Ele trazido ao planeta.

São questões simples, mas que precisam ser lembradas. E isto tudo sem considerar a outra equipe invisível aos olhos humanos que o assessorava. Era preciso para desempenho da importante tarefa que espíritos de elevado grau evolutivo, embora ainda não perfeitos, se apresentassem ao lado de Jesus, apesar da aparência humana rude e fraquezas próprias ainda se fizessem presentes, para que a tarefa estivesse completa e atingisse seu objetivo.

Apesar da aparência rude, numa época de imensas dificuldades e limitações materiais, formavam eles diferenciada equipe, bem diferente das atuais equipes que integramos no planeta com objetivos tão variados, tão limitados e ao mesmo tempo tão medíocres em inúmeros casos, gerando crises continuadas que se originam no egoísmo e seus desdobramentos.

É preciso sempre raciocinar em todos os temas. É com esses questionamentos que aprendemos a estudar e entender a gigantesca tarefa de Jesus. Tarefa na qual também podemos nos engajar pelo esforço diário da renovação e do empenho de também sermos um trabalhador de sua bendita Seara, ainda que inexpressivos, localizados ou pequeninos... 

Felizmente, porém, há outras equipes anônimas, perseverantes, que sem qualquer alarde, promovem o progresso e garantem o processo natural da vida social, em todos os segmentos. 

11/05/2017

Tarefa dos enxovais

Orson Peter Carrara
Voluntários anônimos ou vinculados a grupos de diferentes denominações religiosas dedicam-se ao amparo de gestantes carentes, com a distribuição de enxovais para os bebês que vão chegar; em alguns casos, inclusive, com cursos de orientação nos cuidados com a gestação e com os futuros filhos. Com arrecadação e doações provenientes de diversas fontes, para a aquisição de tais enxovais, o fato é que há décadas o importante trabalho existe em muitas cidades e grupos, sem falar das iniciativas individuais, com a confecção de roupinhas, sapatinhos e outros acessórios de atendimento aos recém-nascidos.
 Sobre o tema, trago aos leitores diminuta história de um ângulo que talvez o leitor não se tenha dado conta:


A pobre mulher, já com oito filhos numa verdadeira escada cronológica, aguardava o nono rebento e procurou ajuda para receber a doação de um enxoval para o bebê. Vivendo com muita dificuldade familiar, muito magra e quase passando fome, o marido estava desempregado e entregou-se à bebida, chegando violento em casa todo dia, atingindo a esposa e os filhos. Ela não reclamava do marido, dizia que ele era bom e tentava afogar a angústia do desemprego na bebida. Feito o cadastro e avaliação, ela recebeu a farta sacola com as roupinhas. Foi de surpresa em surpresa, chegando às lágrimas, com a qualidade, quantidade e beleza das peças acumuladas e que lhe eram doadas. Chorou de intensa emoção e comoveu o marido da mesma forma que, percebendo receber tanta generosidade de pessoas que nem conhecia – fez inúmeras perguntas sem entender o fato de receber tantos mimos e acessórios extras em meio às bonitas e cheirosas roupinhas para o filho que chegaria –, que tomou uma decisão: largou a bebida e mudou o rumo da própria vida. Logo conseguiu um emprego e a vida do casal, embora difícil, voltou à normalidade.

A pequena história revela algo extraordinário. Não são as doações em si, mas o amor com que foram
planejadas, organizadas e mesmo entregues. Usei o exemplo dos enxovais, mas poderia falar sobre a distribuição de sopa ou atendimento a mendigos, idosos, famílias inteiras, ou os atendimentos médicos e odontológicos, entre outros, de voluntários abnegados na área de saúde ou da educação, como a alfabetização, etc., entre outras notáveis iniciativas humanitárias em favor da população mais carente.
É que todo gesto ou iniciativa impregnada de amor, do desejo de ajudar, de aliviar a agrura do semelhante, igualmente impregna o material usado e beneficia diretamente aqueles que recebem os benefícios, muito além do próprio objeto ou acessórios doados e recebidos.

A história está no último capítulo do extraordinário livro Diversidade dos Carismas, de Hermínio Miranda, que desejo recomendar ao leitor. O capítulo tem o nome de Os carismas e a caridade, que inspirou meu recente livro: A Tarefa dos Enxovais.

04/05/2017

Repelem a prece, estão endurecidos

– Orson Peter Carrara
Afirma Kardec no item 75 do capítulo 28 de O Evangelho segundo o Espiritismo, que os francamente maus e os hipócritas podem ser enquadrados em personalidades perversas. Estão ainda iludidas no desejo de posse, de domínio das consciências, e também dominadas pelo vil sentimento do egoísmo que só pensa em si, desconsiderando os interesses comuns e coletivos.
O arrependimento ainda não os tocou, se comprazem no espalhar de dores, violências e preocupações para os outros, estão ainda insensíveis ao mal que causam e fazem-no sem qualquer preocupação de lesão na tranquilidade ou no patrimônio alheio. E após a morte, por vingança do sofrimento que experimentam, ou dos ódios alimentados, perseguem aqueles que odiavam ou outros que lhes abrem espaços, seja por obsessão ou por outra influência qualquer.
Os primeiros, os francamente maus, são mais fáceis de se reconduzir ao bem do que os segundos, os hipócritas. Se conseguirmos despertá-los dos equívocos a que se entregam. Fazem o mal mais por instinto do que por cálculo e não procuram se fazer passar por melhores do que são. Há neles um germe latente que é preciso fazer eclodir com a nossa perseverança, o desejo do bem e a confiança em Deus.
Já os hipócritas são muito inteligentes, mas são insensíveis; nada os toca, simulam todos os bons sentimentos para captar confiança, e ficam felizes quando encontram tolos que os aceitam como sérios e bons e onde podem governar à vontade. São perigosos porque agem nos bastidores e normalmente deles não se desconfia, a não ser depois que são descobertos, o que normalmente leva um tempo, já que sabem simular com mestria.
Tais sentimentos e posturas, todavia, fazem parte ainda de nosso estágio e muitos de nós nos enquadramos muitas vezes em comportamentos perversos, seja na hipocrisia ou na maldade, ainda que sem premeditação.
Teremos sempre que retomar os caminhos da dignidade, da honestidade, da bondade plena!
O tempo fará isso.
Mesmo assim, cabe-nos orar em favor dessas mentalidades endurecidas (seja na hipocrisia ou na maldade), ajudando-os a se libertarem dessas potentes amarras bem próprias dos equívocos a que se permitiram.
Tais considerações extraímos do texto Pelos espíritos endurecidos, capítulo XXVIII de O Evangelho segundo o Espiritismo, com adaptações e pequenas transcrições parciais para o presente trabalho. Embora no capítulo em referência, o Codificador orienta sobre preces em favor daqueles que não estão mais encarnados, o raciocínio cabe, como pode perceber o leitor, também para nós os encarnados, onde também encontramos hipócritas e maldosos, onde as preces serão de grande valor e alcance para despertar dessas almas adormecidas nas ilusões que bem nos prendem o sentimento e o raciocínio...

26/04/2017

Veja A CABANA

Orson Peter Carrara

Não sei se quando o leitor ler essa abordagem, haverá possibilidade de ainda ver o filme A CABANA, porque ignoro se há sala de cinema com essa exibição próxima do leitor. Mas não posso deixar de trazer esse estímulo, mesmo que seja visto depois pelo youtube ou pelo netflix.

O fato é que além da emoção própria das situações apresentadas pela produção, destaque-se a profunda reflexão filosófica trazida pela história. De inspiração religiosa e, claro, com as adaptações todas, próprias para uma filme que aborda um tema que somente a reflexão isenta de preconceitos ou prevenções pode produzir.

Com as fantasias próprias e mesmo as perfeitas metáforas com comparações bem construídas para tornar possível a transmissão da essência pretendida, o texto empolga pela lógica e bom senso aplicado nos diálogos entre os personagens.

Para quem está acostumado a estudar e especialmente conhece as grandezas do conhecimento espírita – que pode ser aplicado com facilidade para acompanhar os raciocínios – é uma delícia acompanhar o desenrolar da história. Deliciei-me às lágrimas nos raciocínios do personagem com o outro personagem representante da Sabedoria, que construiu expressivo diálogo sobre as noções da Justiça Divina e o Amor de Deus para com seus filhos.
Para quem está acostumado com o capítulo II – Deus – do livro A Gênese, de Allan Kardec, obra integrante da Codificação Espírita, de pouco mais de uma dezena de páginas (o capítulo específico), é sensacional pensar junto com o personagem citado e que transmitia as reflexões. Para quem ainda não teve a curiosidade didática de pesquisar o citado capítulo, eis uma excelente oportunidade de estudo.
Dê-se essa chance, vá ver o filme. Para raciocinar e refletir junto com os personagens da história. É impossível não fazer paralelos com o capítulo citado de A Gênese, e ao mesmo tempo, buscar as lúcidas páginas de O Céu e o Inferno (outra obra de Allan Kardec, integrante também da Codificação Espírita), para entregar-se ao estudo dos capítulos todos da primeira parte da obra, especialmente buscando o extraordinário documento Código Penal da Vida Futura. Abstenho-me de acrescentar comentários, mas quero motivar o leitor a buscar a obra.
Fato concreto, todavia, é que o filme trabalha as feridas da alma, como a mágoa e a ausência de perdão, ou a falta de fé e todos os seus desdobramentos. Mas, como não poderia deixar de ser, leva à construção da fé, com raciocínios lógicos, bem embasados e muito bem construídos, fazendo do filme uma produção daquelas em que a gente diz: “Gostei demais!”. Foi minha sensação e espontânea frase. Principalmente pelas profundas reflexões filosóficas e para quem está habituado a pensar utilizando-se da grandeza do Espiritismo, foi um “prato cheio”!
Abstenho-me das informações técnicas do filme, como sinopse, diretor, atores, etc. Isso é facilmente encontrável na net. Objetivo mesmo foi estimular o leitor: Vá ver!