Caridade de Deus

 – Orson Peter Carrara

Afirmou o Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, que a caridade é alma do Espiritismo. Referida frase está na Revista Espírita de dezembro de 1868 e gerou um de meus livros, A Alma do Espiritismo.

O tema, porém, é tão abrangente, que permite ampliar o assunto para buscar também a grande caridade proveniente de Deus, o Criador.

Buscando o item 2 do capítulo XVII – Sede Perfeitos, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos itens que Kardec classifica como elementos da verdadeira caridade: benevolência, indulgência, abnegação e devotamento. Note-se que a própria definição e desdobramentos de cada uma dessas virtudes já comportam estudos inesgotáveis. Ao referir-se, porém ao chamamento de Jesus sobre o SEDE PERFEITOS, que, naturalmente indica a perfeição relativa que podemos alcançar, ele recorda que “(...) a essência da perfeição é a caridade em sua mais larga acepção, porque ela implica a prática de todas as outras virtudes (...)”. Aí ficamos a pensar nos atributos de Deus, tão bem apresentados em O Livro dos Espíritos nas questões 10 a 13.

Claro! A Inteligência Suprema e Causa Primeira de todas as coisas reúne, não há dúvidas, a perfeição absoluta no conjunto completo de toda essência da caridade e desdobramentos nas virtudes, pois que Deus exerce em plenitude o amor para conosco, em expressões de caridade. Uma delas, dentre tantas, é muito expressiva: a reencarnação!
Sim, a reencarnação. Ela é caridade de Deus para conosco. 

Diante de nossa fragilidade, de nossa imaturidade, equívocos, desajustes, anseios, perspectivas, planejamentos, dúvidas, conflitos e toda ordem decorrente dos aprendizados necessários, Ele nos oferece a chance de recomeçar continuamente, como bem conhecido pelo princípio da pluralidade das existências.

Quanta grandeza, quanta bondade!
A reencarnação, cujo critério maior é a justiça baseada na igualdade, propicia o permanente repetir de oportunidades, quantas vezes forem necessárias. Não há um massacre, não há violência, não há pressão nem violação da liberdade.
 Apenas oportunidades abençoadas que se abrem em favor de todos, em igualdade e justiça. Os que abusam ou exploram indevidamente, os que negligenciam ou escolhem caminhos de violência e lesões em si mesmos ou nos semelhantes, não são castigados ou marginalizados. Apenas e simplesmente colhem as conseqüências, por questão lógica de justiça, em novas oportunidades de reparação do mal que causaram a si próprios ou a terceiros.

A reencarnação é, pois, caridade de Deus para conosco, fazendo-nos amadurecer e aprender continuamente para que construamos o mérito da felicidade que alcançaremos, por força dos próprios esforços.

Estudar, pois, a reencarnação, é o caminho para entender esse notável plano de evolução que nos propicia construir o próprio progresso.

Cairbar, um comunicador por excelência

                                                                            Orson Peter Carrara

O esforço empreendido pelo notável Cairbar Schutel, em Matão, na divulgação do Espiritismo, deixou clara sua posição de grande comunicador. Tomando conhecimento dos ensinos trazidos pelo Espiritismo, o moço que viera do Rio de Janeiro e se instalara no pequeno município paulista que ele mesmo auxiliara emancipar-se politicamente, não teve dúvidas: lançou-se de corpo e alma para que tais ensinos se tornassem conhecidos e pudessem beneficiar mais e mais pessoas.

A partir da fundação de um centro espírita e de um jornal que já é centenário, sua atuação extrapolou os limites da então pequena Matão, projetando-se através das décadas para o cenário internacional, principalmente após o surgimento de sua querida RIE, fundada em 1925.

Da distribuição avulsa pelas ruas da cidade, nos trens de passageiros, na remessa a cidades vizinhas e na postagem que se ampliou gradativamente para todo o Brasil, o pequeno jornal foi um farol a despertar consciências adormecidas para a realidade da imortalidade da alma, da pluralidade da existência e da comunicabilidade dos espíritos, entre outros princípios da Doutrina Espírita.

Vale acentuar que, em 1905, quando Schutel iniciou seu apostolado, sua idade era de apenas 36 anos. Durante os próximos 33 anos, de 1905 a 1938, dedicou sua vida completamente à divulgação e à vivência do Espiritismo.
É importante destacar também o aspecto de vivência. Afinal ele foi um autêntico cristão, nunca desprezando ou ignorando quem quer que o buscasse. Jamais teve atitudes de indiferença ou discriminação quanto aos pobres e necessitados que o procuravam em busca de consolo moral ou em busca do socorro material.

Mas sua grande marca foi mesmo o de comunicador. Além dos periódicos que publicou, dos livros que escreveu, das palestras proferidas, do incentivo doutrinário distribuído, ele igualmente influenciou expressivamente toda uma geração de espíritas. Seu exemplo, seu estímulo, a notável  sequência pioneira dos programas radiofônicos (depois transformada em livro), fizeram dele um comunicador por excelência.

Há que se destacar também que, mesmo após a desencarnação, seu trabalho continua. Ditou várias mensagens, por diferentes médiuns, já foi identificado igualmente por diferentes médiuns em locais onde o assunto é divulgação espírita e, por relatos idôneos, pode-se afirmar que ele é um dos espíritos coordenadores da expansão do pensamento espírita, inclusive no âmbito internacional.

Cairbar percebeu de imediato a proposta do Espiritismo, exposta com clareza por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, obra que alcança 160 anos de publicação em 2017, pois que lançada em 18 de abril de 1857.
Fica claro perceber o alcance da comunicação espírita. Ela, a Doutrina Espírita, não é estanque, mas dinâmica. Sua própria índole cristã é comunicativa. Surgiu com a publicação de livros, projetou-se através de livros e comunicação verbal, alcançou respeito pela comunicação vivida na prática e atualmente vive a realidade de ver seus temas essenciais serem tratados abertamente pela mídia.

Ora, o trabalho iniciado pelos espíritos, percebido por Allan Kardec – que lhe organizou metodicamente os ensinos –, vitalizado pela marcante presença de Chico Xavier, mas igualmente estimulado pelo trabalho de homens da fibra de Cairbar Schutel, entre tantos anônimos ou conhecidos, do presente ou do passado, é fator que nos convida à reflexão.

Que atuação estamos tendo para continuar referido empreendimento, cujo objetivo é espiritualizar o ser humano? Exemplos não nos faltam. Entre eles, um comunicador por excelência: Cairbar de Souza Schutel (1868-1938).


Vale destacar que o livro VISÃO ESPIRITA DE UM BANDEIRANTE – PENSAMENTOS DE CAIRBAR SCHUTEL – volumes I e II, publicados pela editora O Clarim em 2005 – ano em que se comemorou o centenário de O Clarim, reúne os editorais da RIE, de 1925 a 1938, na autêntica ferramenta de comunicação de sua lucidez doutrinária e sua firmeza de caráter, que ele usou através das páginas da Revista Internacional de Espiritismo, na defesa e na divulgação das ideias espíritas. Um exemplo, sem dúvida, de comunicação espírita.

Ações corajosas para viver em paz

– Orson Peter Carrara
O conhecido médium Raul Teixeira, com ampla folha de serviços pela divulgação espírita no Brasil e no exterior, lançou já há alguns anos pela psicografia o excelente livro cujo título é o mesmo que usamos na presente abordagem.
Ditado pelo Espírito Benedita Maria, que foi sua mãe carnal na presente existência, o livro apresenta onze capítulos, cada um deles dividido em subtítulos de notáveis desdobramentos.

Os capítulos
Os capítulos referem-se a situações do cotidiano da vida humana e seus desafios. Estão relacionados, por exemplo, entre outros, os temas Vida Moderna, Amizade, Fé, Oração e Trabalho. Nos subtítulos, em cada capítulo, notamos a didática e importância da obra, com temas específicos. Relacionamos alguns para avaliação do leitor: Os velhos pais como fardos, Seja amigo de si mesmo, Para aprender a ser bom, Escolha de servidores domésticos, A você que é mãe, Ciúme, Remorsos, entre outros.

O médium e o Espírito autor
Raul é querido amigo do movimento espírita. Sua produção mediúnica literária é valiosa; sua lucidez na oratória é marcante e muito esclarecedora. Apesar do período de dificuldade após a enfermidade, os registros gravados nos possibilitam acesso ao valioso material por ele produzido em favor da divulgação espírita. Formado em Física, Mestre e Doutor em Educação, está vinculado à Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói, instituição que fundou com um grupo de devotados idealistas espíritas. O espírito autor foi sua mãe, tendo deixado a vida física há mais de 50 anos, quando Raul tinha apenas 4 anos de idade. Em páginas curtas e valiosas, especialmente didáticas para os desafios diários, Benedita apresenta uma obra muito especial que merece ser amplamente conhecida e divulgada.

Camilo, Raul e Benedita
O benfeitor espiritual Camilo, que orienta a mediunidade de Raul, assina a apresentação da obra. Em texto psicografado no dia 10 de março de 2008, o Espírito situa Benedita em suas lutas redentoras e assinala seus esforços para espalhar o bem. Por sua vez, o espírito autor abre o coração, em página que intitulou Gratidão a Deus, falando das experiências difíceis de deixar os filhos, especialmente o mais novo, com apenas 4 anos, nos desafios do mundo, em página comovente. Já o médium, na seqüência das páginas, traz detalhes importantes e esclarecimentos que ampliam o entendimento da obra e das vidas envolvidas. A edição é da FRATER.