Colunas vivas

Orson Peter Carrara
A lucidez e coerência de Emmanuel se faz presente em tudo que escreveu. Seus textos, sábios e objetivos, conclamam-nos diretamente ao entendimento de graves ou pequenas questões da vida humana e seus desafios. Seus romances densos, históricos, ou seus textos compactos em breves mensagens revelam bondade, sabedoria e estímulo ao bem, ao crescimento pessoal e coletivo. Foram milhares de páginas por Chico Xavier.
No último parágrafo da mensagem Mecanismos do Auxílio, ele afirma: Em qualquer plano do Universo, toda vez que desejarmos realmente o bem, é forçoso nos convertamos em colunas vivas do bem.
Analisemos com olhar abrangente:
  1. Em qualquer plano do Universo... isso é muito além das aparências, das circunstâncias, do tempo, época, relacionamento, atividades... quer dizer, em qualquer momento ou lugar.
  2. Toda vez que desejamos realmente o bem. Desejamos sempre o bem? Quando o desejamos? É real esse desejo do bem ou mascarado por interesses? E o que é o bem em nosso entendimento? Já pensamos nisso? E como interpretamos o desejo do bem?
  3. Converter-se em colunas vivas do bem – Note-se o processo de transformação interior, edificando fortaleza que age em favor do bem geral. Na imagem simbólica de colunas vivas, o convite do sal da terra que faz a diferença na convivência social ou familiar. Coluna lembra sustentáculo, alicerce. Somos daqueles que sustentam a alimentam a vida ou ainda estagiamos como pedintes?
Referida mensagem foi publicada no Anuário Espírita de 1972 (o médium enviou de 1964 – quando surgiu a publicação por sugestão dele mesmo – até 2002, quando de sua desencarnação, mensagens de variados benfeitores espirituais para serem publicadas no conhecido Anuário, que continua sua caminhada e já tem disponível também a edição de 2017). Essas mensagens, nessa sequência de anos, estão reunidas agora em 89 capítulos que resultou no novo livro Chico Xavier e suas mensagens no Anuário Espírita. A mensagem ora comentada está no capítulo 65.
O fato marcante, porém, é a solidez das reflexões do citado benfeitor, sempre com sabedoria, com bondade, com amor autêntico recheado de firmeza que indica caminhos e orienta.
É nessas mensagens compactas que encontramos em poucas palavras e em parágrafos curtos ensinos de grande valor que desdobrar em valiosos caminhos de orientação. Aliás, todas as mensagens remetidas pelo médium para publicação, de rápidos parágrafos, trazem esse perfil.
E sobre as colunas vivas, em comparação magnífica, sejamos nós as fortalezas da determinação, da fé operante, para atenuar as agruras do mundo, se realmente desejamos o bem em torno de todos nós.

Para não espanar



Orson Peter Carrara

Desemprego galopante, surpreendente. Crises sociais intensas. Preocupações e angústias que se multiplicam. Desafiantes situações surgem diariamente para indivíduos, empresas, instituições, famílias. Tanto na área do relacionamento, dos questionamentos interiores, na empregabilidade, na saúde, na violência ou na indiferença, tudo convidando a rever posturas e posicionamentos, estimulando novas buscas, convidado à renovação e derrubando velhos e ultrapassados paradigmas. 
Por mais paradoxal que possa parecer, são situações necessárias. Justamente para nos despertar dessa letargia da indiferença ou do comodismo, da incredulidade.

Causas? Não é difícil indicar. O materialismo, ou a crença no nada, a busca desenfreada do prazer, o valorizar da ganância, do poder, do dinheiro, em detrimento dos valores essenciais.
Diz-nos, todavia, o poema de Cruz e Souza (1861-1898), poeta catarinense de emotividade delicada: (em Parnaso de Além-Túmulo, ed. FEB, página 385 da 19ª edição, de abril/16)

Aos torturados
Torturados da vida, um passo adiante;
Nos desertos dos áridos caminhos,
Abandonados, trêmulos, sozinhos,
Infelizes na dor a cada instante

Sobre a luz que vos guia, bruxuleante,
E além dos trilhos de ásperos espinhos,
Fulgem no Além os deslumbrantes ninhos,
Mundos de amor no claro azul distante...

Chorai! Que a imensidade inteira chora
Sonhando a mesma luz e a mesma aurora
Que idealizais chorando nas algemas!

Vibrai no mesmo anseio em que palpita
A alma universal, sonhando, aflita,
As perfeições eternas e supremas!

É que a vida é muito mais que os áridos caminhos da vida humana. Aqui são degraus de aprendizado, abrindo caminho para felicidade concreta que alcançaremos. Mas há o preço do aprendizado e do amadurecimento. Para não espanarmos, pois, na tristeza ou no descontrole, a diretriz é Prosseguir! Sempre confiantes, determinados, ativos e especialmente comprometidos com o bem geral e, claro, com a poderosa ferramenta da fé. Da fé que raciocina, que pensa, que analisa, que observa. Não aquela que vacila diante dos obstáculos.

Apertam as situações? Pressionam as adversidades? Bom sinal! É clara a indicação que estamos sendo convocados a sair do comodismo e da indiferença, da descrença e do desamor, convidados claramente agora à vivência da fraternidade. Exatamente aquela que nos ensina a amar.  Se não formos espontâneos na busca dessa singular oportunidade, vem a dor cumprir seu papel e despertar nossa insensibilidade. Melhor, pois, agir com inteligência e desenvolvermos em nós mesmos os mecanismos do amor.

Esperam-nos panoramas iluminados de amor e felicidade, no futuro. Mas temos que construir uma escada e subir seus degraus. Daí a importância vital da iniciativa!

Inspiremo-nos no bem geral, deixemo-nos contagiar pela vontade ser útil, dispensemos o egoísmo e a vaidade, esqueçamos a ganância, excluamos o orgulho que se fere tão fácil e olhemo-nos com os olhos repletos de compreensão descobrindo os intensos valores que todos possuímos, passaportes que nos levarão às moradas de felicidade que nos aguardam de portas abertas.

Como Kardec recomendou

Orson Peter Carrara
Como se sabe, Allan Kardec, na Codificação da Doutrina Espírita, procedeu com espírito investigativo, utilizando método científico de observação, comparação, para expor suas conclusões e os resultados com base na lógica, no bom senso, e na universalidade dos ensinos, isto é, na coerência e concordância das informações recebidas em diversos lugares, simultaneamente por médiuns desconhecidos entre si.  Isto garantiu a solidez das revelações e sempre expondo tudo à luz do raciocínio.
Esse sábio critério utilizado pelo Codificador, que igualmente afirmou que quando alguma informação contrariasse as conquistas da ciência, deveríamos abandonar esse ponto e ficar com a ciência, ao mesmo tempo que deveremos incorporar ao conhecimento as mesmas conquistas científicas, é insuperável, pois que a ciência, ao longo do tempo, somente tem confirmado o que a Doutrina Espírita contém em seus fundamentos.
Eis que o pesquisador Dermeval Carinhana Jr., de Campinas, integrante da ADE – Associação dos Divulgadores do Espiritismo e do portal www.radioespirita.org.br , fez como recomendou Kardec. No belo livro Confrontado a Razão, assinado por Cairbar Schutel e atualmente esgotado na editora, na psicografia de Alaor Borges Jr., Carinhana comentou capítulo por capítulo (são capítulos bem compactos no conhecido estilo daquele autor que, quando encarnado, publicou obras de alto nível doutrinário), analisando o conteúdo psicografado e formando uma obra de referência para estudo e pesquisa do Espiritismo.
Buscando na fonte da Codificação e da Revista Espírita, nos argumentos apresentados para comentar os capítulos psicografados, Dermeval faz um autêntico curso de Espiritismo, em seu caráter doutrinário de buscar as causas de determinadas afirmações e sua coerência com a realidade do espírito imortal, nas considerações apresentadas pelo espírito autor.
Ficou mesmo uma obra empolgante.  Toda a grandeza dos textos do Codificador, tanto na visão do espírito autor, como na análise doutrinária de Carinhana, formou uma obra de referência, pelas indicações, pelas pequenas transcrições que embasam os argumentos e comentários, como igualmente pela oportunidade de compreender ainda mais os fundamentos doutrinários e os critérios do Codificador. Isso tudo sem falar, é lógico, na consistência do texto psicografado que forma o livro. Esperamos que breve esteja novamente disponível.

Uso da Escala Espírita

Orson Peter Carrara – orsonpeter92@gmail.com

Sabemos todos, pelo estudo da Escala Espírita, apresentada por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos (questão 100 e seguintes), que os Espíritos pertencem a diferentes estágios de moralidade e intelecto, estágios esses alcançados pelo próprio esforço e pela força do progresso, que é lei para todos. O entendimento prévio da importante classificação apresentada pelo Codificador evita possíveis decepções quanto às manifestações, fenômenos e pseudo-orientações apresentadas no intercâmbio com os encarnados. Uma vez sabedores dessas diferenças, estaremos prevenidos contra tentativas de mistificação e fraude por eles arquitetadas. E igualmente estaremos demonstrando um bom nível de discernimento na recepção de orientações que surjam através de médiuns.
Na Revista Espírita1, de julho de 1859, no Pronunciamento do Encerramento do ano social 1858-1859, feito por Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, dentre os vários assuntos focados, destacamos trecho de máxima importância para nossas reflexões: “(...) saibam, pois, que tomamos toda opinião manifestada por um Espírito por uma opinião individual; que não a aceitamos senão depois de tê-la submetido ao controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência Espírita nos fornece, meios que todos vós conheceis. (...)”.
Observemos a curiosa observação de Kardec: “controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência Espírita nos fornece”. A lógica sugere e solicita que tudo que venhamos a receber dos Espíritos, por via mediúnica, seja submetido à avaliação do raciocínio, do bom senso. Se escapar deles, que seja rejeitado.
Como orienta Erasto: “(...) Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” (...) (capítulo XX, item 230 de O Livro dos Médiuns).
Sob o ponto de vista da investigação, eis aí um critério que qualquer estudioso Espírita pode usar com tranqüilidade: basta observar atentamente o que ocorre à nossa volta ou que venha dos Espíritos. A investigação, sugerida pela Ciência Espírita, é exatamente submeter todos os fenômenos e ocorrências mediúnicas (e até mesmo anímicas2, acrescentamos) ao critério dos fundamentos e princípios apresentados pelo Espiritismo. Estão coerentes? Ferem os fundamentos doutrinários?  Sem esquecer que, simultaneamente, podemos também efetuar pesquisa, através de anotações, acompanhamentos e métodos de experimentação.
São, pois, controles bem seguros: uso da  lógica e investigação dos fatos. Estes são a comprovação daquilo que se pesquisa ou se busca. A lógica, por sua vez, coloca frente a frente o fato com a referência que o raciocínio oferece, sempre como fruto da observação, da experiência e da própria história e fundamentação dos reais fenômenos das manifestações dos Espíritos.
Apoiados nestes dois critérios, não há o que temer, desde que nos desarmemos da negação simplesmente por negação, das implicâncias e preferências de ordem pessoal e nos coloquemos no neutro terreno de quem quer conhecer e aprender, descobrir e investigar pelo prazer de aprimorar o conhecimento.
É oportuno recordar que Cairbar Schutel – fundador do jornal O Clarim e da Revista Internacional de Espiritismo –, no livro Médiuns e Mediunidades3, justamente estudando a questão mediúnica e com embasamento em O Livro dos Médiuns, traz importante esclarecimento.
Na Exposição Preliminar, Cairbar declara: “(...) em vez de ser uma explanação, com larga dissertação de O Livro dos Médiuns, esta obra é dele um resumo. (...) O Espiritismo, exposto aos leitores em síntese, tal como o fazemos, proporciona duas vantagens bem nítidas: primeira, a de dar àqueles que nos lêem a expressão nítida, clara, racional da sua doutrina, que abrange as esferas religiosa, filosófica e científica; segunda, a de guiá-los a mais altos empreendimentos, infundindo-lhes nas almas o desejo de aprofundar a Revelação nova, que veio iniciar uma nova era no progresso dos povos. Tal é nosso intuito ao lançar à publicidade este livrinho, em cujas páginas, estamos certos, os leitores encontrarão alguma coisa de proveito (...)”.
É o que nos ensina também a atenta observação nos estudos com a Escala Espírita, indicando os diferentes estágios de progresso dos Espíritos, progresso esse que pode ser estimulado de forma abrangente com a difusão do Espiritismo.

1 – 2ª edição (1995) do IDE-Araras, tradução de Salvador Gentille. O destaque em negrito é do autor da presente abordagem.
2 – Vide capítulo VI da segunda parte, na citada obra.
3 – Edição da Casa Editora O Clarim, de Matão (SP).

Penitenciárias

Por Orson Peter Carrara
Coincidindo com a crise prisional no país, encontro na sabedoria de Amália Domingo Soler, no fabuloso livro A Luz do Caminho, que está esgotado e logo estará reeditado, o notável capítulo A Eterna Justiça, que parece foi escrito para a atualidade do país, embora escrito há mais de um século. Faço aqui pequenas transcrições parciais do citado capítulo:
  1. Você então acredita que com suas prisões se consegue a cura do criminoso? É um equívoco gravíssimo, porque, como regra geral, seus condenados são homens quando entram nos calabouços, mas ali se convertem em feras indomáveis (...);
  2. (...) se dobram o corpo sob o poder do chicote, não dobram seu Espírito, pois continuamente se está vendo que os crimes mais terríveis, que os atentados mais cruéis, que o ódio mais concentrado, quem os sente ou os comete?
  3. Eis como funciona a corrigenda de um criminoso de ontem, e não é porque seja um monstro da iniquidade, mas porque matou, sem estudar a natureza do seu crime, as leis o condenaram a alguns anos de prisão.
  4. (...) entrou na prisão aturdido, surpreso e assustado por sua própria obra; entrou como aprendiz, como se costuma dizer, na oficina dos crimes e saiu mestre consumado, o que prova que seus castigos violentos produzem um resultado completamente negativo, o que não ocorreria se os criminosos fossem tratados como se tratam os enfermos.
  5. (...) embora falte muito para que os enfermos pobres sejam tratados nos hospitais com as considerações e atenções devidas, não os golpeiam e não os submetem a continuados jejuns para curar suas doenças; dão-lhes medicamentos, alimentos, fazem operações que, conquanto dolorosas, têm por objetivo separar o membro gangrenado do resto do corpo, para que este se conserve saudável.
  6. Ora, se assim tratam as enfermidades do organismo, com relativo acerto e com o sadio desejo de conseguir a cura completa, por que não fazem o mesmo com as enfermidades da alma?
  7. Que vocês pensam que são os criminosos? (...) cada um deles apresenta distinta enfermidade (...) quanta diferença existe na origem da criminalidade!
  8. Curar a doença por meio de um tratamento geral é como se num hospital cheio de enfermos, cada um com sua doença particular, dessem a todos o mesmo medicamento, pretendendo que se curasse com o mesmo remédio o tuberculoso incurável e aquele que somente tivesse uma leve febre.
  9. Dia chegará (...) em que suas horríveis prisões serão substituídas por casas de saúde, onde os criminosos serão julgados, não por juízes, mas por sábios psiquiatras, e cada ser que cometa um delito será um livro aberto no qual o médico encarregado de sua cura lerá constantemente.
  10. A doçura é o modo de corrigir os culpados; (...) os crimes diminuirão à medida que os criminosos sejam considerados doentes em estado gravíssimo que necessitam de especiais cuidados e múltiplas atenções, e de alguém que os ensine a trabalhar e, o que é mais difícil, a amar o trabalho (...)
  11. Que diferentes resultados obterá o sistema penitenciário de que se fará uso nos séculos vindouros!
Nossas autoridades precisam conhecer uma sábia orientação dessa natureza. O império do materialismo, da indiferença e o predomínio do egoísmo formam esse quadro complexo que estamos enfrentando no país. Daí a imperiosa necessidade da expansão da visão imortalista da vida, que não se resume a algumas décadas nesse corpo frágil que utilizamos.
Concluo com trecho no final do capítulo: “(...) eduquem-nos (...) para que comecem a ser úteis a seus semelhantes, porque toda água que se dá aos sedentos, encontra-la-ão depois em gotas de precioso bálsamo que lhes servirá mais tarde de alimento e vida (...)”.

Não é o grande desafio da nação? Até onde vamos com nossa indiferença? Multiplicam-se os condenados e penitenciárias, esquecidas as autoridades do poder da educação (e sua estrutura, claro!) Que, curiosamente, começa em casa, antes do berço, no aconchego familiar, no exemplo dos pais e no Evangelho do Cristo, único capaz de formar autênticos homens de bem.

Outra coragem

Quanto mais leio, estudo e pesquiso o rico e incomparável conteúdo oferecido pela Doutrina Espírita, mais me alarga o horizonte de entendimento da outra coragem e disposição que precisamos desenvolver em nós mesmos para a harmonia interior que buscamos, com vistas às finalidades de viver e seus altos objetivos fixados pela grandeza de Deus e suas soberanas leis.
Em todos os tempos, mártires e lideranças dos vários desafios que a vida apresenta no complexo relacionamento humano, entre os seres de uma mesma família ou nos intercâmbios entre as diversificadas culturas dos países, tiveram iniciativa, disposição e coragem no enfrentamento dos preconceitos, abusos de toda ordem (considere-se aqui de toda ordem mesmo, desde os de poder, da escravidão, da prepotência ou da ganância, da vaidade e tantos outros), da corrupção, enfermidades, das invenções, guerras, e nas diversas situações construídas pelo egoísmo que ainda nos domina o comportamento.

Por força dessa situação, há que surgir aqueles que colocam “cara para bater” nesses enfrentamentos advindos da coragem honesta, sincera, que muda os paradigmas da dominação ainda presentes no planeta.
Todavia, os grandes clássicos da literatura espírita nos fazem pensar na outra coragem, sempre esquecida e tão necessária para alterar completamente os doloridos quadros vividos no planeta.
Trata-se do enfrentamento de nós mesmos, nas imperfeições que todos carregamos. Isso significa, no entender da notável Amália Domingo Soler – que foi orientada em toda sua obra pela grandeza e nobreza do Espírito Germano –, melhorar nossos hábitos e costumes (depois de prévio e consciente exame de nossos próprios atos, bons e maus), estabelecendo um regime progressivo em harmonia com as aspirações do Espírito humano, opondo-se à propagação do mal e propugnando pela desinteressada prática do bem, segundo suas próprias palavras, aqui adaptadas em transcrição parcial e constantes do capítulo VIII – Conhecer-te a ti mesmo, do livro A luz do caminho.
Ela afirma no início do capítulo: “Cada um é o redentor de si mesmo (...) e para chegar a ser um verdadeiro apóstolo do progresso é preciso antes de tudo redimir-se (...)”. E acrescenta com sabedoria: “(...) Tão importante é ao homem aprender a conhecer-se a si mesmo como saber porque está na Terra, de onde vem, para onde vai (...)”.
O que mais me chamou atenção, todavia, está na seguinte afirmação, razão da presente abordagem: “(...) Se para progredir intelectualmente foi preciso lutar com a coragem dos heróis e dos mártires, há de ser menos para progredir moralmente? (...)”.
Na reflexão dessas duas linhas estão incluídas todas as lutas para vencer preconceitos e dominações de todo tipo, gerando mártires em todos os tempos e fazendo a humanidade avançar no entendimento de nossa igualdade e no respeito que se deve ter com a liberdade.
Pois a coragem é a mesma. É a coragem da iniciativa, da decisão, do planejamento, da perseverança, só que para enfrentamento de nossas próprias imperfeições. É a luta pela conquista das virtudes, é a dominação do orgulho, é a dispensa do egoísmo, é a renúncia aos pontos de vistas próprios em favor da paz coletiva, é o reconhecimento do valor alheio, em detrimento da vaidade e arrogância que ainda nos caracteriza. É, enfim, silenciar a agressividade, raivas, rancores, e atender à consciência, amar o dever.
Por isso a clássica pondera: “(...) Ao homem do mundo falta descobrir um simples, mas profundo segredo. (...) É aprender a conhecer-se a si mesmo. (...)”
A abordagem é notável e não cabe num único artigo. Há muito mais no precioso capítulo, mas deixamos um dos trechos para concluir: “(...) Todos nós, sem exceção, estamos doentes do espírito (...) Perguntemo-nos sempre: Que falta cometi hoje? (...)”.
E pondera que quanto mais afundados estamos nos vícios dos maus comportamentos (aí incluídos também o melindre, o orgulho próprio ferido e a teimosia rebelde), menos enxergamos o ridículo de nossos próprios comportamentos perante a finalidade maior de progresso oferecido pela vida.
Portanto, essa é a outra coragem: do enfrentamento de nós mesmos, virtude que atrairá o amparo e presença dos benfeitores espirituais, pois é exatamente a nova postura que nos aproxima deles para nossa harmonia interior.

Não encontro Deus! – Orson Peter Carrara


Essa afirmação é comum entre os que se decepcionam, se desesperam, os que não encontram respostas para os difíceis quadros do planeta e da vida individual e coletiva, também os que severamente se frustram com os quadros da hipocrisia e do egoísmo ou vaidade, ganância ou prepotência, que geram dores, angústias e sofrimentos sem conta. Não é preciso recordar a história humana em seus quadrantes mais sofridos, desde os primórdios da humanidade aos contínuos quadros das guerras, inclusive religiosas, até os pavorosos eventos de corrupção, mentira ou manipulações, não restritos às esferas do poder e suas ilusões.
Afinal, mata-se em nome de Deus; escondemo-nos em aparências para agir na obscuridade, mutilamos, corrompemos, traímos, roubamos – inclusive a paz alheia – e ainda nos maltratamos ou nos desprezamos, usando máscaras de hipocrisia, inclusive em nome da fé.
Visão pessimista? Não, infelizmente ainda nossa realidade humana. As lutas e a falsa compreensão do que é a vida e seus objetivos, colocam-nos em situações que exigem decisões nem sempre sábias ou generosas, que deveriam ser o norte do comportamento individual. Convenhamos, todavia, que faltam-nos ainda a sabedoria e a bondade, em sua feição real.
Daí as reações de desespero, dúvida, angústias, decepções e seus lamentáveis desdobramentos. Entre eles, a incredulidade, ou a ausência da fé.
Diante de enfermidades cruéis, fome, abandonos, solidão ou da desolação e as consideradas injustiças, com tantos extremos em todos os sentidos, a pergunta é inevitável: “Onde está Deus? Que permite tudo isso! Procuro-o, mas não O encontro!”
O que ocorre é que nossa visão é tão limitada, tão escassa, tão pequena e medíocre nossa maturidade que não conseguimos ver além das aparências.
Todavia, Deus está em toda sua magnífica obra. A começar por nós mesmos, seres simultaneamente iguais e desiguais num gigantesco processo de aprendizado. O desequilíbrio que se verifica nas situações é obra humana, hoje ou anteriormente como causa. A obra de Deus está na perfeição, ordem e equilíbrio do próprio universo, nas flores, na água, no sol, nas crianças, no ar que respiramos e na luz da consciência. E está principalmente na justiça misericordiosa. Há causas anteriores que nos escapam, que geraram os imensos desconfortos que infelicitam a vida humana hoje. E, por força de igualdade e justiça, mas principalmente bondade, com que Deus trata todos os filhos, vemos e vivemos os reflexos que afetam nossas vidas e a sociedade como um todo.
Mas a grandeza, a bondade, presença do Criador está em tudo. Basta contemplar os céus durante o dia ou as estrelas à noite. É preciso ir além das aparências sofríveis para entender uma ordem que rege a vida. Basta observar as flores ou os animais, a variedade de tudo que nos cerca e envolve, ou a gestação humana, o nascimento e mesmo a morte, para entender que há um poder sábio que tudo preside, com bondade, imenso amor e justiça.
A grandeza do mar e seus conteúdos, ou o infinito do Universo, a diversidade em tudo ou a incrível capacidade e criatividade humanas, o sentimento inato que guardamos de um Ser Supremo, a lógica na voz, no sentimento e na ação de benfeitores variados que aportaram no planeta em diferentes épocas – o maior Deles, o Cristo – conspiram convidando-nos a pensar mais a respeito e especialmente buscar Deus dentro de nós, na maravilha em construção que constitui cada ser. A própria preciosidade da vida e seus desdobramentos já indicam a presença e providência de uma inteligência acima de nossas mediocridades.
Deus está conosco, não distante! Aprendamos a agradecer pela vida e a Deus pelo que somos, com quem vivemos, pelas oportunidades, desafios e aprendizados e mesmo pelas adversidades, pois são elas que nos aproximam de Deus. A gratidão despertará a alegria de viver e libertará desses estados de ânimo, de desconsolo e decepção, para elevar-nos à esperança e ao trabalho útil do próprio crescimento, que redunda em favor de muitos. Avante, pois! Destemidos, prossigamos! Por que a dúvida? A vida conspira a nosso favor! E não se resume ao que vemos e vivemos aqui. Deus está em tudo, inclusive dentro de nós!

Ilumina-se a humanidade

Orson Peter Carrara
O próprio ar se torna diferente, leve, alegre, suave. Que alegria! É dezembro, que traz de volta o Natal, com os desdobramentos próprios, reunindo famílias e despertando novamente a solidariedade, o desejo de ser bom, a gratidão pela própria vida.
Apesar do convencionalismo da data, do apelo comercial envolvendo o Papai Noel que encanta os sonhos infantis, isso não impede que nos aproximemos mais do aniversariante, que nunca esteve distante. Sempre esteve conosco, recebendo da humanidade uma certa indiferença aos seus apelos de amor.
Mas como sua grandeza e bondade estão além de nossa real compreensão – pois que ainda não conseguimos vivê-la integralmente –, Ele dividiu a história, valoriza os pequenos gestos de gentileza que possamos ter uns com os outros e permanentemente nos convida à renovação moral, respeitando nosso estágio e decisão, sem exigir nada, aguardando que despertemos da letargia do egoísmo, do orgulho e vaidade que ainda nos situamos, equivocados com reais valores da vida.
Mas esse respeito e amor para conosco, tolerância sem limites, advém da compreensão de nossa pequenez moral, da formação ainda em andamento, mas como conhece nossa potencialidade a despertar – pois que originários todos da Bondade de Deus –, investe continuamente nessa formação e despertar, com o envio permanente de outros mais amadurecidos no amor para que nos ensinem a compreender o legado de amor depositado na psique humana e que vai gradativamente amadurecendo com as experiências, algumas doloridas, outras recheadas de emoção, e todas elas visando o aprendizado dessa grandiosa lei que rege o Universo: o amor.
Sim, ilumina-se a Humanidade. É Jesus, presença amorosa, incomparável, a quem tudo devemos. A suavidade de seu verbo, de seu olhar, a compaixão para com nossas fraquezas e debilidades morais, deveria antes nos sensibilizar nessa mudança que precisamos fazer em nós mesmos. Felizmente, porém, a vida tem seus sábios mecanismos para nos fazer ver o que é óbvio e que teimamos não aceitar.
Mas seu profundo amor respeita nossa debilidade, envolve-nos carinhosamente, providencia para que estejamos bem e protegidos.
Ele é o modelo e guia para a humanidade, é o Celeste Amigo, é a Luz do Mundo, o Sol de nossas Almas, o Enviado para nos ensinar viver. Deixemo-nos sensibilizar por sua grandeza.
Jesus, Mestre e amigo da humanidade. Por sua grandeza, por sua bondade, por sua presença, aceite nossa gratidão. Ajuda-nos vencer tanta imperfeição que ainda carregamos para que consigamos nos aproximar mais desses ensinos que nos libertam da ferocidade que ainda carregamos.
Muito obrigado Senhor! Um Feliz Natal aos amigos e leitores em toda parte. Meu coração vibra, emotivo e agradecido, pelas bênçãos do que a amizade é capaz de fazer!
Mais que as luzes externas do Natal que iluminam casas e o comércio, acendamos dentro de nós as luzes do amor que abraça, socorre, alegra-se, confia e permanece trabalhando...

Na porta

Orson Peter Carrara

O amigo Valdinei, de Santa Catarina, publicou em seu facebook um texto encontrado na porta de um consultório médico. Pela lógica apresentada, é muito oportuno trazer aos leitores. Valdinei é autor do notável livro Segredos do Tempo, empolgante romance publicado pelo IDE de Araras-SP. Agora que a humanidade ilumina-se pelo Natal, o texto é bem um belo convite de renovação dos sentimentos. Vejam:

Texto na porta de um consultório médico:
A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.
O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.
O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos.
Existem semáforos chamados Amigos.
Luzes de precaução chamadas Família.
Ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão.
Um potente motor chamado Amor.
Um bom seguro chamado FÉ.
Abundante combustível chamado Paciência.
Mas há um maravilhoso Condutor e solucionador chamado DEUS!!!